Paula Parreira

repórter + esportes + música + Itumbiara + jornal + Goiânia + futebol + mostarda + dorminhoca + tênis + orkut + blog + família + óculos + café + colar + fotos + Pateta + O Popular + marshmallow + amigos

Sábado, Novembro 14, 2009

Não consigo prever o futuro. E achei que não era legal perder uma oportunidade de estar com os pais depois de uma semana difícil pra eles. Cansar, cansa. Mas depois, mesmo que seja daqui duas semanas, eu arranjo um tempo pra descansar. Os filmes que estrearam ontem não passam aqui, mas eu posso vê-los depois, outro dia. O fato é que a impotência já é grande pra quem está no olho do furacão. Imagina quem está noutra cidade, de distância próxima, mas com dias de trabalho que não pode faltar. É isso. Dei os abraços que queria ter dado quarta-feira. E agora estou sozinha em casa em Itumbiara. A sensação não é boa, não. A mãe saiu dizendo que não estava gostando dessa ideia de me deixar só aqui. Mas a gente tem que fazer isso, de deixar as pessoas sozinhas, de vez em quando. Estamos eu e os novos sensores de alarme da minha antiga casa.

***

Sonhei que ele tocava piano pra mim. Nem sei de onde apareceu esse tal piano, se tem alguma relação ou não. Mas é que já tenho tanta informação. Algumas que eu nem deveria ter, mas tenho porque não me aguento. Aí chega uma hora que a gente não tem mais noção do que deve/pode saber ou não. E do que pode aparentar saber ou não.

Ele pediu pra eu escolher a música, mas eu não conhecia muitas coisas que ele gostava, sempre clássicas ou jazz. Ou clássicos do jazz. Mas aí ele tocou uma bossinha.

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Você não procura. Procura por um tempo até. Mas aí, quando cai na real, não o faz mais. Aí num dia em que você faz tudo igual ao que sempre faz, ele aparece lá. É uma voz no rádio. E invade a sua rotina assim. É uma coisa que você faz todos os dias: ouvir o noticiário no rádio, com aquele âncora que você gosta, no caminho para o trabalho bem no meio da tarde. E numa emissora que, até quando você tinha notícia, não era a dele. A gente não tem mesmo controle das coisas.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Como vi num filme outro dia, um corpo de 27 anos não se recupera como um de 26. Até pensei por um momento, mas já desisti de maneirar na comemoração.

É hoje, o aniversário.

Quem passa por aqui e quiser passar lá, Glória é o local em que tomarei um chopinho com os amigos. Umas 20h30. Sem mais para o momento.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

É normal...
...não querer levantar da cama e acordar, obrigada, às 14 horas num dia de semana?
... sair de carro, sem almoço e sem fome, sem rumo para o lugar de almoçar porque você não quer almoçar em lugar nenhum?
... comer por comer?
... só querer ver a família mais próxima e não querer muito ver os outros?
... ter um dia totalmente alegre e não achar que é normal?
... se sentir atacada com qualquer coisa?
... não se sentir em sintonia com as pessoas?
... ser ansiosa o tempo todo e não estar ansiosa justo agora?

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Eu não...
... vi show do U2 em lugar nenhum, nem no youtube.
... vi Bastardos Inglórios.
... uso o tweetdeck.
... cancelei minha assinatura e parece que agora ela se renovou por mais dois anos (quando é que as assinaturas de revista passaram a ter vida própria?).

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É legal quando a gente fica satisfeito por ser como a gente é. Mas não é quando a gente acha que não está sendo legal e, apesar disso, não consegue mudar.

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A gente não tem como saber o que é bom pras pessoas. É melhor respeitar as escolhas e fazer as escolhas da gente. Sem pensar nos outros também. E é a gente que tem que cuidar das coisas da gente. Não esperar que os outros o façam. Eles não vão fazer.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Todo mundo escreve sobre os lugares em que foi. Menos o meu irmão, porque ele não escreve essas coisas, só sobre processos. E aí que eu escrevi sobre o Paraguai. Sobre Assunção, na verdade. Minha primeira viagem internacional - olha que beleza! - foi para o Paraguai.

E se você está de férias, não vá a Assunção. Vá pra uma praia do Nordeste, pra uma cidade histórica do interior de Minas Gerais, pra alguma cidade com belezas naturais, como as da região da Chapada Diamantina, ou para alguma capital brasileira cheia de atrativos. Mas não vá a Assunção. Se você tem uma semana de folga, também não vá a Assunção. Agora, se você está fazendo um tour pela América Latina, conheceu o sul do Paraguai ou qualquer outro lugar e está subindo, pode até dar uma passadinha. Mas dois dias são pra lá de suficientes. Ou então vá a Assunção se realmente não tiver outro jeito. Tipo: um parente seu próximo morreu por lá ou você tem que trabalhar. Bem, eu tinha que trabalhar.

Não é que a cidade seja ruim. Me surpreendeu pro lado bom. Mas é que fui esperando o pior. O pior do pior. A cidade não é suja, as pessoas não são chatas, não vi criminalidade, não comi mal e não gastei muito dinheiro. Mas não tem muito o que fazer. O que me surpreendeu mesmo foi a arquitetura da parte histórica do centro. Muito bonita, imagino que seja da época da colonização. É até bem conservada.

Os monumentos e prédios históricos são legais. Palácio do Governo, o antigo Palácio do Legislativo, a Catedral, o Palácio dos Leões, a Universidade Católica e alguns museus. Tem alguns locais que são espécies de santuários em homenagem a mártires da luta contra a ditadura, que foi bem forte no Paraguai e durou mais de 30 anos. Isso me fez lembrar Itumbiara. É que tem uma história de que Alfredo Stroessner, o ditador, passou um tempo no Hotel da Vila de Furnas quando deixou o Paraguai deposto, uma coisa assim.

Então, continuando, dá para passear de barca no Rio Paraguai. Não fiz isso, mas vi o porto. E, à beira do rio, está um dos maiores contrastes de Assunção. Ao lado do suntuoso Palácio do Governo tem uma favela. Há contraste nas ruas da capital paraguaia. Enquanto executivos e burocratas passeiam pelo centro no horário de almoço, dividem espaço com meninos de rua (muitos) e ambulantes (muitos mesmo). O comércio informal é livre.

Aí você me pergunta: "Mas se a pessoa quiser fazer compras, vai a Assunção, certo?". Certo. Mas se for só pra fazer compras, só mesmo, que vá a Ciudad del Leste, que é mais perto, na fronteira, e contempla o objetivo sem maiores problemas. Mas que as compras no Paraguai compensam, isso compensam. Em qualquer lugar. E, se você está em Assunção, faça compras sim. Tênis, perfumes, eletrônicos, artigos de marcas esportivas famosas. Tudo por um preço bem mais baixo, por causa do imposto baixo. É aproveitar pra trazer a muamba. Até porque, quando você disser que está indo ao Paraguai, todo mundo já vai achar que você está indo lá pra isso mesmo, pra "muambar".

A galera

Ranzinza que sou, não fui tão ranzinza no Paraguai. Precisava de informações e serviços, então tinha que tratar bem as pessoas e fazer amizades. O mensageiro do hotel foi logo me perguntando de que cidade eu era. Diante da resposta, disse que assistiu a Dois Filhos de Francisco, que a mãe e a irmã dele choram vendo o filme. Pergunto se ele gosta da música dos caras - é claro que eu sei que Dois Filhos de Francisco conta a história do Zezé di Camargo e Luciano. Aí ele diz que sim, acha linda. Mas gosta mesmo é de Raça Negra. Fim de papo. Mas o que me interessava ele já tinha me dito. Tinha, sim, wireless no quarto, "sin custo".

O que as pessoas mais querem saber é se o lugar de onde venho tem praia. "Não, sou como vocês", eu respondia. O Paraguai não tem praia e o pessoal fica fascinado quando alguém conta das maravilhas que é o litoral. A maioria das pessoas com quem falei só esteve em uma cidade brasileira: Foz do Iguaçu. As cataratas e tal. Querem saber onde fica Goiânia. Digo que é no centro do País e contam que sabem onde fica Brasília.

O futebol

Foi o futebol que me levou a Assunção. E o que achei mais legal na cidade foi conhecer o Defensores del Chaco. Por mim, faria vários passeios futebolísticos pelo mundo inteiro. Adoro conhecer estádios, ver jogos em qualquer lugar. Então, se você também é assim, vá ao Defensores del Chaco em Assunção. E ao estádio do Libertad, que eu não conheci, e ao Pablo Rojas, que foi o meu local de trabalho - à propósito, fui cobrir um jogo do Goiás contra o Cerro Porteño, pela Copa Sul-Americana. Só não pude ir ao museu do Defensores, o que foi chato.

Na rua, velhinho vendendo bandeira quer falar sobre futebol. Me pergunta o que conheço do futebol do Paraguai. Gamarra, Arce, o novo time dos dois (o Guarani), o que li sobre o Cerro Porteño pra fazer matéria do Goiás e só. Pergunto o time do coração. Ele me pergunta qual é o maior time do Paraguai. Digo que não sei. Tem o Cerro e o Libertad, que são os dois maiores rivais. Um é mais popular, o outro conquistou mais títulos. Vou lá saber que o Libertad ganhou três Libertadores e sei lá quantas Mercosul, Interamericana e sei lá mais o quê. Sei que ganhou Libertadores, mas não que fez isso três vezes.

Devia ter tirado onda quando ele me perguntou se o Goiás é time como Flamengo, Palmeiras e esses grandes. Devia ter respondido: "Sabe nada de futebol brasileiro, hein?". Mas não posso culpá-lo. De jeito nenhum.

Entrando

O carinha da imigração disse que meu documento estava vencido. Era a carteira de identidade. Não entendi nada. É que não é preciso passaporte pra ir ao Paraguai. Você pode entrar no país com o seu documento de identificação. Eu tenho passaporte, mas não queria usar porque ele tem uma informação errada. Diz que eu nasci em Goiânia, mas eu nasci em Itumbiara. Fico com medo de me acusarem de falsidade ideológica. Vai saber. E é por isso que usei a minha carteira de identidada pra entrar lá. E aí me vem o carinha dizer que ela está vencida. Não dei muita atenção. Só disse a ele que não existe isso de prazo de validade pra carteira de identidade.

Mas é aquele negócio. A carteira de identidade tem mais de dez anos, mas me disseram que eles só levam isso em conta se o documento não der pra identificar a pessoa. E a minha identidade, mesmo com mais de dez anos, me identifica perfeitamente. Aí respondi ao paraguaio com um ar de "eu só saio daqui pra entrar no Paraguai e não pra voltar pro Brasil".

Uma beleza de espanhol

Não falo uma palavra em espanhol. Gracias, buenas (e derivados, como buenas noches, buenos dias), la cancha, delantero, arquero e médio-campista, periodista, periodico, quanto cuesta, cerrar (cerrado, que não é o bioma), tomar un taxi. E aprendi viernes, que é sexta-feira, mas às vezes eu me pegava dizendo "until viernes" pra dizer que eu ia ficar até sexta-feira em Assunção. Sou um desastre mesmo. Mas eu aprendi uma palavra importante: capullo. Só não consegui usá-la, porque achei melhor não xingar ninguém no Paraguai. Não em voz alta.

A moeda

"Ochenta mil", me responde o taxista sobre o valor da viagem até o hotel do Goiás. Chegando no Paraguai, só me preocupei mesmo em encontrar alguém do clube e fazer matéria, o motivo que me levou, inclusive, ao Paraguai. Pensaria no meu hotel depois.

Aí o meu companheiro de viagem me olha até assustado ao ouvir o valor do táxi. Nem me importo. Na verdade, não tô nem aí. Como eu vou saber se o valor é o justo ou não? "Não conheço Assunção, você conhece?", pergunto a ele. Então, vamos nessa. A única coisa que eu sei é fazer a conversão pra reais, porque não sou retardada. Mas vou lá saber se o cara tá cobrando a mais ou não. Isso só vou descobrir depois de pegar mais uns dois táxis.

É difícil entrar no ritmo da moeda paraguaia no início, mas depois fica ok. Os números são sempre altos, mas eu tinha lido antes que é melhor trocar o dinheiro na moeda local e usá-lo assim. Eu até gastei alguma coisa em reais, mas gastei mesmo em guaranis.

***

No final das contas, o que as pessoas querem é fazer a diferença. E quando isso não acontece, bate aquela sensação de vazio, de solidão, de inutilidade, de que nada importa muito. Bate um comodismo. Que diferença você faz? Já pensou nisso hoje? Se não faz diferença você ser você, é melhor desistir até disso mesmo, desse lance de ser você. Mas aí eu não desisto. Faço por mim.

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Trabalhando nas playlists. As mais difíceis que eu já fiz.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Indo pra Itumbiara, obras na BR-153. Eu sempre pego algum congestionamento indo para o jornal pela rodovia. Tanto que, nos últimos tempos, tenho feito outros caminhos. Mas pra ir pra Itumbiara, adivinhem? Não há outro caminho. Eis que, bem ali, depois do único radar que funciona, aquele de 40km/h, pego um megacongestionamento no sábado, primeiro dia do feriado prolongado de Dia das Crianças. Opa, feriado do dia da padroeira do Brasil.

Pensei: quem é o gênio que não sugere a paralisação das obras por causa do trânsito mais intenso no feriado? Não faz tanta diferença assim, na minha opinião. Aí descubro, parada no congestionamento e andando a no máximo 4km/h, que esqueci uma coisa em casa. Estou indo pro aniversário da minha priminha e esqueço os presentes dela. Básico! Começo a tentar lembrar onde é o próximo retorno. Equação óbvia: vou passar uma vez pelo congestionamento, retornar, andar mais de 20 km de volta até em casa, pegar os presentes, sair de novo, andar mais de 20 km até o congestionamento e passar, de novo, pelo trânsito devagar.

No momento em que estou fazendo as contas, aparece alguém no vidro, pelo lado de fora, e bate. Me mostra uns cds. Dispenso. Aí ele: "Não quer? É de graça!" Abaixo o vidro. E solto: "Olha aqui! Não é só porque é de graça que eu vou querer. Deve ser algum cd de música sertaneja ruim, o que já me faz recusar e te amaldiçoar. Além disso, se eu quero ouvir música durante a MINHA viagem, no MEU carro, certamente já tenho o que preciso. Sou uma pessoa que escolhe a trilha sonora antes de viajar. Se é bom e eu quero ouvir, eu já tenho aqui."

Não, não disse isso. Abaixei o vidro e disse: "Mesmo assim eu não quero. Obrigada."

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Foi um homem quem escreveu o que reproduzo abaixo. Felipe Machado, que tem um blog muito legal e tem o link aqui do lado. Foi em setembro ainda e eu sempre quis colocar aqui. Mas esquecia. É estranho quando alguém decifra assim as coisas mais simples.

"Somos obrigados diariamente a fazer escolhas em que razão e emoção se contrapõem, e isso gera sempre aquela dúvida: 'como teria sido minha vida se eu tivesse feito uma escolha diferente?'. É chato viver assim. É bom tomar decisões e assumir as responsabilidades que vêm com elas. Seria caótico se todo mundo vivesse baseado 'no que teria acontecido se algo fosse diferente'. Teríamos bilhões de realidades paralelas, já que toda decisão gera um número de consequências igualmente e infinitamente variáveis. Espero que isso não seja um conselho, mas vamos lá: é importante ficar com quem você gosta, mas também é importante ficar com alguém que gosta de você. Desde que o mundo é mundo, nosso objetivo é procurar uma pessoa que preencha esses dois requisitos. Boa sorte para todos nós."

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Faz tempo que não tomo chá. O quente, porque o gelado eu tomo direto.

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Nem falei que ouvi o Humbug. Ouvi atrasada, lógico, porque não tenho tido tempo pra nada.Mas o disco é bom, mais bem acabado, bem produzido e os arranjos são mais elaborados. E o Alex Turner não tem mais espinhas no rosto. As músicas são mais (bem mais) longas e menos (bem menos) frenéticas. Não sei se fiquei influenciada, mas parece que dá pra ouvir umas guitarras estilo Queens of the Stone Age na faixa 5. Aí fico achando que é por causa do Josh Homme, que produziu o disco, o que é bem legal, porque o Josh Homme é um dos caras mais legais do rock atualmente. Aí eu animei e voltei a ouvir o "Wathever people say I am, that's what I am not" e o "Favourite Worst Nightmare".

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A Fabi pulou o outubro e eu já estou planejando o novembro. A gente vive no futuro.

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Tenho memória fraca. Esqueço tudo. E esqueço as coisas que eu já li na vida. Pensei nisso quando vi, na livraria, o Confissões de Adolescente, que deve ter sido o primeiro livro que eu quis ler eu mesma, por vontade própria. Coisas de adolescente e as nossas confissões, sacomé. E aí pensei que eu não lembro detalhes dos livros que amei ler. Aí lembrei da história do MIFU do Confissões e fiquei um pouco mais tranquila. Mas não lembro muito do Mais uma vez, que li no ano passado e achei ótimo. Literatura pop inglesa é meu ponto fraco. Aí pensar nos livros mais legais que eu já li e dos quais não lembro detalhes me fez chegar em casa e folhear o Subterrâneos do Futebol. Acho que é o livro que acho mais legal de ter. Hoje ele é editado com outro nome: Histórias do Futebol. As reedições deviam ser vetadas só por causa desse nome.

Tenho o maior orgulho de ter uma edição de 1968, comprada num sebo. Pode até não representar muita coisa, porque não é uma edição herdada de alguém da família e tudo o mais. Mas é um ano meio emblemático o de 68, por causa da ditadura e por pensar que o momento político influenciou a saída do Saldanha da seleção, que ele estava montando pra 1970. Isso me faz pensar no tipo de pessoa que descartou esse livro. É graças a ela que eu o tenho. Acho lindas as folhas gastas. Tem o durex na parte da encadernação já gasta, as folhas grossas e amarelas, a palavra jogo escrita com acento circunflexo (jôgo). E o que tem dentro. Os anos de Saldanha no Botafogo, as histórias e lendas do Garrincha, a relação com a imprensa esportiva da época. Sobre a Copa de 70 não tem, mas isso tem em outros livros.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

Mudanças. Tenho pensado nisso nas últimas semanas. Tenho tentado avaliar as mudanças que aconteceram comigo em muitos aspectos. Como profissional, em família, com os amigos - na hora de fazê-los e pra conviver com os antigos. Muito difícil essa avaliação, mas acho que o que mais mudou na minha personalidade foi o modo de sentir o silêncio. E acho que a solidão também.

É que moro sozinha há dois anos e meio. O silêncio nunca me incomodou, mas acho que não o "ouço" há dois anos e meio. E a solidão... Bem, eu sempre achei que era legal ficar sozinha. Mas quando isso deixou de ser uma opção, passei a pensar mais.

As companhias, eu as valorizo demais. Essa é a parte boa de se passar bastante tempo sozinha. A gente valoriza mais as coisas que não tem o tempo todo. Recentemente, a mãe passou uma semana lá em casa. Não teve silêncio. E aquilo foi bom demais.

Não sinto falta de dizer "bom dia", "boa noite", essas coisas. Não é nada disso. Quando eu sinto falta de um "durma bem" de alguém querido, tenho o telefone. Então, não sei bem explicar de que forma o silêncio e a solidão têm me incomodado. Mas têm.

Quando ser submetida ao silêncio não foi mais uma escolha minha, eu passei a querer barulho. Chego em casa e ligo a televisão. É automático. Eu nem tiro a bolsa e já ligo a televisão. Ou canal aberto ou algo no dvd. Se não tem nada legal, ouço alguma música. Acho que é por isso que tem faltado concentração pra ler. É algo solitário e silencioso.

Não me importo de fazer coisas sozinha. Não é que não faça questão de companhia. Eu faço. Adoro almoços animados e falantes. Mas não deixo de almoçar em restaurantes ou shoppings porque estou sozinha. Vou do mesmo jeito. Cinema, livraria, cafés. Vou numa boa. Só balada que não e ainda assim eu já fui uma vez.

Não acho que tudo fica melhor com alguém do lado. Eu sou tão ranzinza que acho que às vezes fica até pior. Mas as minhas companhias na vida têm sido tão boas, que está difícil querer só os meus momentos. Quero momentos com as pessoas.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Jogo em meio e fim de semana + Jogo do Flamengo + Anúncio do Fernandão + Exclusiva com Fernandão + Carreata do Fernandão + Coletiva do Fernandão + Fernandão de helicóptero + O diabo a quatro de Fernandão + Mãe em casa = trabalho extenuante e não ter tempo pra nada. Nem pra falar com a grande amiga. Nem pra ler uma página sequer do meu livro. Nem pra entregar um dinheiro pro zelador do meu prédio. Nem pra escrever aqui. Nem pra escrever no blog do Goiasnet. Nem pra recuperar minha voz.

Mas isso aí foi há duas semanas. Aí na outra semana foi assim: Cobertura diária + Viagem marcada + Arrumação em casa + Ribeirão Preto + Copa Peugeot + Cansaço + Quatro dias fora + Chegada à noite, direto para um bar + Dormir no outro dia + Recomeçar cobertura de clube = Continuar sem tempo.

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Foram alguns dias fora, e sem tempo para passar aqui. Cobrir rali, lançamento de carro de competição e curso de pilotagem na terra em Ribeirão Preto. Rali de regularidade na programação. Último lugar nada honroso, com a perda de dez vezes o número de pontos (1.003) que a equipe campeã perdeu (101). Como disse alguém, "não quero te desanimar mas deve ser o recorde de pontos perdidos na história da Copa Peugeot". É. Desanimou, não. Imagina.

Terça-feira, Julho 28, 2009

E, depois de mais de 15 dias, eu só vi Pulp Fiction da lista do post anterior. Que eu já tinha visto. Sou uma decepção no que diz respeito ao cinema mesmo. Mas eu vi, no cinema, A proposta (que achei massa), Tinha que ser você (que achei ruim) e Inimigos públicos (que achei muito massa).

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Não é sempre que eu falo com a vó pelo telefone. E, como não moro na mesma cidade que ela, isso quer dizer que eu não falo muito com ela em geral. Não tenho muitos assuntos pra me estender com ela ao telefone. A Tati, minha cunhada, conta um monte de histórias pra ela e ela fala sobre um monte de novidades pra Tati. Mas não é assim comigo. É assim. Eu sempre pergunto por todo mundo: minhas tias, Ayane, Lucas. Aí pergunto algo das vizinhas. E pergunto do povo de Monte Alegre. E pergunto como vão os dias, sobre as vendas de Natura e Avon e tal. Aí, basicamente, o assunto já acabou. Então ela me pergunta sobre o jornal. E conto alguma coisa, de forma bem resumida, lógico. Assunto de jornal já irrita gente do jornal, imagina a minha avó. E é isso. Aí, na despedida, digo várias coisas. Ela me diz pra ficar com Deus e eu digo o mesmo. Apesar de isso não significar muito pra mim, significa pra ela. Digo que a amo, ela diz que também me ama. Ela manda um beijão e um abração. E aí chega a hora de desligar mesmo. E é aí que eu acho que está o problema. É neste momento que eu fico pensando que daria tudo pra pedir pra ela, mais uma vez ao menos, que mande um beijo pro vovô. E sei que é nesta hora que ela daria tudo pra que eu pedisse e ela realmente pudesse mandar ao vovô um beijo meu.

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Não achei ruim trabalhar no fim de semana. Estava escalada pra trabalhar domingo e fui convocada pra ir também no sábado. Problemas que acontecem. E que, por um milagre, não me deixaram irritada. E folguei na segunda-feira. Uma folga boa, muito legal. Cozinhei. Talharim nº 3 à moda Parreira. Fiz a versão com molho branco, mas foi como colocar leite na massa, porque não engrossou. E não sei dizer o que houve. Tudo bem fazer molho com leite desnatado? Aí fiz serviços domésticos. Vi filme com Renatinha e Lourdes, programa seguido de japonês com as duas e Glória com a Fabi. Em casa, aula sobre gripe suína com o Temporão no Jô. Mas acho que eu já sabia tudo, apesar de saber pouco sobre o assunto. E aí fiquei pensando em algo que eu pensei na semana passada inteira e já tinha esquecido. Quantas pessoas pegaram gripe suína beijando alguém na balada?

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Painel de um salão de cabeleireiro no meu caminho do jornal pra casa. O barbeiro corta o cabelo do Obama, que está sentado na cadeira e com aquela capa no pescoço, e o Bush atrás dos dois, no cantinho, varre o chão. Engraçado demais. E não é exatamente cabeleireiro. É um lugar de "preparação de cabelos", como diz lá.

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O Metrópolis. Um lugar que, no começo, ninguém conhecia. Só o Pedro. Aí a gente achou o lugar. E agora é a balada preferida. Eu não vou pra boate em Goiânia. Só vou ao Bolshoi, mas lá anda chato e caro. Os shows são bons, geralmente. Melhor agora que eles pararam com aquele tanto de cover. Mas aí vieram o cara do Ramones, o cara do Rainbow, o Scandurra e o Arnaldo Antunes e os ingressos foram lá pras alturas. E as discotecagens no Bolshoi são repetitivas. Aí veio o Metrópolis. Se você não souber onde é e eu só disser que é na 83, no Centro, vai ser difícil achar. Não há identificação. Mas é lá onde eu danço até doer o pé ultimamente. O único problema é que lá o povo não quer só dançar, quer dar show na pista. Essa parte é chata. Não é balada gay, mas é quase. Principalmente nas últimas semanas. Então, xaveco é quase zero. Mas o melhor é que o índice de presença de imbecis por metro quadrado beira o zero também, ao contrário da maioria dos outros lugares de Goiânia. Na verdade, em alguns lugares esse índice por aqui é de 100%. Mas, o que eu queria comentar é que sexta-feira foi um dia muito massa. Show do Barfly. Eu acho que já tinha ido, mas não lembrava. Gostei das músicas e eu já tinha ouvido um pouco no myspace à tarde. E ainda tocaram uma música que adoro do Ash, Shining Light. E o Túlio mandou superbem depois. Depois do Túlio foi meio tosco, mas aí chegou a hora de ir embora também e ficou tudo ok.

Terça-feira, Julho 14, 2009

Não sou cinéfila. Muito longe disso. Na verdade, nem sou lá essas coisas fã de cinema. Eu gosto, sim, antes que me atirem pedras (aliás, não preciso de mais depois do fim de semana). Mas não gosto tanto assim. Outro dia até confundi o Van Damme com o Bruce Willis. Eu gosto de filmes divertidos, românticos, emocionantes. De vez em quando, gosto de filmes difíceis. Mas na maioria das vezes, não. Mas o que gosto mesmo, pra falar a verdade, é de ver filmes repetidos. Gosto das coisas repetidas, porque aí não tenho dúvida de que me agrada. Mas isso tudo é pra dizer que tenho uma maratona de filmes pra fazer. Peguei vários em Itumbiara, porque a mãe acabou fazendo a coleção da Cinemateca Veja. Uma vez passei uns dias lá e vi Clube da Luta e Sociedade dos Poetas Mortos. Agora peguei vários outros. Vai aí a listinha (com a indicação se eu já vi ou não).

Os que vou ver pela primeira vez:
Um dia de cão
O estranho sem nome
Monty Python - o sentido da vida
Entre dois amores
O planeta dos macacos
A cor púrpura
Como roubar um milhão de dólares
O iluminado
Apocalypse now

Os que eu já vi:
Shakespeare apaixonado
Um sonho de liberdade
Onze homens e um segredo
Pulp Fiction - Tempo de violência
Quem vai ficar com Mary?
O sexto sentido
Clube da Luta
Fale com ela

Em uma semana... Não, melhor em 15 dias... Eu demoro a ver os filmes. Então, em 15 dias coloco aqui os que eu já vi.

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A trilha lá de casa seria o Rubber Soul e o Revolver, se eu os tivesse. O Dia Mundial do Rock me lembrou que eu tenho que copiar os discos do meu pai. Então, pensei no que eu tinha em casa. E rolou Bob Dylan (antes de eu chegar), The Butchers' Orchestra, Paul McCartney, White Stripes, Beatles e Smiths.

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E quando cai técnico em qualquer lugar do mundo é uma beleza.