Paula Parreira

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Beatlemania portenha
(Matéria publicada em O Popular, na edição do dia 21/7/2011)

Museu em Buenos Aires exibe a maior coleção de objetos dos Beatles do mundo

Paula Parreira
De Buenos Aires

Não é preciso mais atravessar o oceano e visitar o Velho Continente para viver o clima da Liverpool dos anos 60, quando os Beatles se tornaram a maior banda de rock do mundo. É possível fazer isso na vizinha Argentina e com uma moeda valorizada no bolso. Em janeiro deste ano, o maior colecionador do mundo de objetos relativos aos Fab Four, o argentino Rodolfo Vázquez, abriu, em uma galeria encravada no centro de Buenos Aires, o Museu Beatle. O lugar não é muito grande, mas tem objetos excêntricos e é envolto por anexos que remetem o tempo todo à banda inglesa: do cafezinho às portas dos banheiros.

O minicomplexo fica em uma galeria escondidinha na Rua Corrientes e reúne, além do Museu Beatle, um café (Star Club Cafe), dois locais para shows (The Cavern Pub e The Cavern Club), um jardim (adivinhe... o The Cavern Garden) e a Sala John Lennon, um teatro que quase sempre recebe espetáculos de stand-up comedy. O lugar recebe, em média, 170 apresentações por mês e, desde que foi criado, foi visitado por mais de 8 mil pessoas. Segundo o dono, 90% dos interessados são brasileiros.

Com cerca de 8,5 mil peças, a coleção de Rodolfo Vázquez é a maior do mundo relacionada aos Beatles – há o certificado do Guiness Book, o livro dos recordes, estampado na parede do museu. Segundo ele, 20% do total de itens estão expostos atualmente. Isso garante que ele mantenha sempre atualizado o que está lá, expondo o acervo de forma rotativa. A ideia é trocar tudo a cada ano. Muitas outras peças também enfeitam os outros ambientes.

Início

Rodolfo Vázquez começou a colecionar artigos dos Beatles quando tinha 10 anos. Ele ganhou seu primeiro álbum da banda, o Rubber Soul (de 1965), e não parou mais. Hoje, aos 53 anos, vê muitas crianças arrastarem os próprios pais para visitas ao museu de uma banda que acabou há mais de 40 anos. “Muitas vezes, são os filhos que trazem os pais, e não o contrário. É a única banda que consegue isso”, conta o colecionador, que prefere ouvir os discos em vinil do que em CD.

Inúmeros tipos de objetos estão expostos no atual acervo do Museu Beatle de Buenos Aires: baralhos, jogos de tabuleiro, fitas cassetes, vinis, ingressos, um programa de uma turnê australiana de 1964 autografado por John, Paul, George e Ringo, além de muitos bonecos, réplicas em miniatura de guitarras e baixo, dedais, chaveiros, adesivos, entre muitos outros. E, claro, toda a discografia Beatle. Precisa dizer qual é o som que rola no recinto enquanto o visitante conhece todos os objetos?

As peças mais importantes são um tijolo original do lendário The Cavern, pub em que os Beatles se apresentavam no início da carreira em Liverpool, as baquetas autografadas de Pete Best, o primeiro baterista dos Beatles – e único a fazer parte da banda que Rodolfo Vázquez conhece – e a coleção de minidiscos, que é a preferida do colecionador. “Não é fácil achar a caixa completa. Sempre achava um ou outro, separadamente, até que comprei esta pela internet”, comenta o idealizador do museu argentino.

***

Cópias de documentos e objetos curiosos

Entre os artigos mais pessoais dos Beatles expostos no Museu Beatle de Buenos Aires, está uma cópia da certidão de casamento de John Lennon e Yoko Ono, a mulher acusada por muitos fãs como responsável pelo fim dos Fab Four, em 1970. A foto da nipônica Yoko também está presente na porta do banheiro feminino – o masculino é indicado pela imagem de John, claro.

Há também cópias de cheques assinados por George Harrison e Ringo Starr e reproduções das certidões de nascimento dos quatro. As excentricidades ficam por conta das camisinhas com John e Yoko na caixa (e as palavras amor e paz escritas em inglês) e uma meia-calça com a estampa dos rostos dos quatro músicos.

Personagens secundários na história dos Beatles também estão no museu. Há autógrafos de Cynthia Lennon, primeira mulher de John e mãe de Julian, filho do Beatle que hoje segue carreira musical – no local, há um disco seu autografado. Ainda seguindo a linha as-mulheres-que-marcaram-os-Beatles, Jane Asher e Barbara Bach, que se envolveram com Paul e Ringo, respectivamente, têm suas fotos no espaço Beatle em Buenos Aires.

Após a visita ao museu, é obrigatória uma paradinha no Star Club Café, onde são servidos vários tipos de café, inclusive os que levam os nomes dos quatro garotos de Liverpool, massas, saladas, empanadas, carnes, entre outros pratos e bebidas. Depois, é bom checar a programação de shows do dia. Pode ser que você aprecie um bom cover dos Beatles ou uma banda local ainda desconhecida.

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Colecionador valoriza Ringo

Uma tarefa comum para muitos beatlemaníacos não é fácil para Rodolfo Vázquez. Quando perguntado sobre o seu integrante preferido dos Fab Four, ele não escolhe. Mas deixa transparecer um carinho especial por Ringo Starr. “Muitos subestimam Ringo como músico e a contribuição dele para a banda. Ele controlava e apaziguava os ânimos. Se não tivesse o Ringo, os Beatles teriam acabado antes. Paul e John teriam destruído a banda muito antes”, afirma o argentino, que reconhece Paul McCartney como superior musicalmente em relação aos outros. “Não sei como Ringo fez para suportar as manias de Paul e John.”

Apesar de não ter conhecido nenhum Beatle, dois encontros foram especiais. Em 1997, Rodolfo se encontrou com Pete Best, o primeiro baterista que os Beatles tiveram, ainda no início da carreira. Neste ano, em junho, Brian Ray, guitarrista que hoje toca com Paul McCartney, foi ao museu durante uma visita a Buenos Aires.

Rodolfo também é um dos fundadores do The Cavern Buenos Aires, criado em 2001, que organiza a anual Semana Beatle da América Latina, com concurso de bandas e homenagens aos Beatles. A paixão pela banda inglesa não é a única. O colecionador é torcedor do River Plate. E ainda bem que ele tem o museu, porque se depender só do time de futebol... (o River foi rebaixado para a segunda divisão argentina neste ano, algo inédito e trágico para a história do clube).

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A série que o Gui chamou de Killed by Brasília terminou com o Motorhead. Católicos, espantai-vos. Fomos a um show de Lemmy e cia em plena Sexta-feira Santa. Tem gente que nem trabalha, tipo o Goiás, que, com um técnico devoto, não treinou. Tem gente que vai ao show do Motorhead.

O bom é que fomos, eu e Gui, com um pouco mais de tempo a Brasília. Deu para passear, encontrar amigos e fazer happy hour. No show, Gui disse que dançaríamos um monte. Mas não foi tanto assim. Parece que dançamos mais nos outros dois (Iron Maiden e Ozzy). Realmente não lembro bem das músicas. Mas acho que gostei de Ace of Spades.

Em resumo, Motorhead é direto. Com diz o Gui, "sem firulas". E, apesar de saber que Lemmy is God, gostei muito do baterista. Não gosto de solos intermináveis, como os do show do Ozzy. Mas gostei dos que vi na semana passada. O guitarrista Phil Campbell fez um breve e bom. Já o baterista Mikkey Dee foi sensacional no solo, que poderia durar o quanto ele quisesse que eu não reclamaria.

Fotos:

 

 O melhor mesmo foi que ir com a camiseta do Death Cab. Arrasei, gente, eu sei!
 A mão do Gui.
 O Lemmy e o Phil Campbell.
 Ui!
 Mikkey Dee.
 Cantando.
A arte de equilibrar a cerveja. Que craque!

***

E acabei esquecendo do evento com o Daniel Galera em Goiânia, em que ele ia falar sobre o Mãos de Cavalo. Não li o Mãos de Cavalo ainda, apesar de tê-lo, mas já li outros dele.

***

Sabe, ando achando tudo uma bobagem. As minhas coisas e as coisas dos outros.

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Decidi que vou ler, depois do Gui, o livro que ele comprou com a história do Led Zeppelin, Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra, do Mick Wall.

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Estou prestes a começar o meu novo-velho Murakami. Mas quero estar mais solta, mais relaxada e, assim, mais concentrada na leitura. Terminei o Solar, do Ian McEwan. Poderia emendar no outro dele que tenho. Mas vou mudar o foco. Fico com vontade de ler logo os lançamentos que gosto e compro, mas aí tenho essa coisa de deixá-los me esperando e, quando os pego, já não são mais lançamentos. Aí, antes de pegar o Murakami, acabei catando um pocket de crônicas da Martha Medeiros pra espairecer.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Não basta ser namorada, tem que participar. A cópia da frase do comercial é pra dizer que, em menos de uma semana, fui em dois shows com o Guilherme: Iron Maiden e Ozzy Osbourne. Os shows entraram pra coleção que já incluía Master e Vader. E agora, fazendo uma conta simples aqui, eu acho que meu namorado está me devendo alguma coisa, porque nas costas dele só tem Belle and Sebastian por minha causa. Vou cobrar quando pudermos ver Death Cab e Foo Fighters.

Ir a um show com o Gui não é só ir a um show. É se preparar pra ele. Então, antes de ver o Paul Di'Anno, em Goiânia, vi um documentário com parte da carreira do Iron Maiden. E antes de ir pra Brasília, vi o Flight 666, que mostra a turnê de 2008 (Somewhere Back in Time), aquele filme que tem o Bruce Dickinson pilotando o avião.

Aí chegou o dia 30 de março. Almoço com Renatinha, que agora mora em Brasília, e camisa nova do Flamengo de presente, porque lá tem uma loja do clube e em Goiânia não tem. Um amigo do Gui achou que a gente estaria na fila às 17 horas, mas ainda bem que eu não precisei fazer isso. Chegamos umas 19h30.

Pista premium, a melhor invenção do mundo do show business. Isso, claro, desde que você possa pagar por ela. Eu sei que é sacanagem com quem está lá atrás, que é muito caro, mas foi bom ficar nela. Cerveja fácil de pegar, sem fila. Pipoca, cachorro quente, pizza. Tudo ótimo.

O show foi legal, pulei bastante e cantei algumas partes que consegui identificar. A única música que eu lembrava direito era Transylvania, que é instrumental e não tocou. Gostei de Two Minutes to Midnight, Coming Home, Running Free, The Number of the Beast e Blood Brothers, que o Bruce dedicou às vítimas dos terremotos e do tsunami no Japão, onde eles tiveram que cancelar um show por conta da tragédia.

Achei o Iron Maiden uma banda democrática. Todo mundo tem espaço, apesar do Bruce ser um cara simpático pra caramba e ter aquela empatia natural com o povo. Mas parece que é porque o Steve Harris manda lá. Só que é legal ninguém ficar apagado, todo mundo pode fazer o seu solinho e tal. O Janick Gers é divertido, põe a perna para cima, dança, faz umas micagens.

E, como eu sou eu, tenho que reclamar dos folgados que acham que estão num show exclusivo e fazem aquelas coisas básicas, tipo dançar como querem e acabar batendo em todo mundo, tipo pular com a cerveja e molhar o pessoal ao redor.

Uma coisa que me revoltou foi a ausência do Eddie, aquele boneco, em Brasília. O bicho estava nas outras cidades. Se tem o troço na turnê, tem que ter em todos os lugares. Caso contrário, descaracteriza o show e não é justo com os fãs. Também disseram que o palco foi bem menos suntuoso do que o da turnê de 2009, quando eles também estiveram em Brasília (e o Gui foi).

***

Aí veio o dia 5 de abril. Não tenho como não achar o Ozzy decadente. Sério. Mas reconheço que ele me surpreendeu. Conseguiu levantar o baldinho de água, correu daquele jeito deprimente dele, mas correu e cantou bem. Achei o Ozzy bem mais simpático do que o Bruce, apesar de achar que é meio temerário fazer esse tipo de comparação. Mas ele só consegue pular apoiado no pedestal, tem tremedeira na mão esquerda e precisa descansar no meio do show. O único problema foi esse.

Na hora do descanso, o Ozzy some e começa o ziriguidum. O tal do Gus G, que reconheço que é bom e tem aquela coisa anos 80 de colocar um ventilador pra fazer ventinho no cabelo, faz um solo interminável. Com Brasileirinho. Fiquei esperando a Daiane dos Santos fazer o duplo twist carpado no palco. Ou, como diz o Gui, eu quase fiz o duplo twist carpado.

As pessoas falam que eu sou ranzinza e que não entendi que o guitarrista estava tentando uma conexão com o público brasileiro. Mas, na boa, eu não fui ao show do Ozzy esperando ouvir um chorinho num solo de guitarra. E depois veio o solo de bateria. É por isso que eu interrompo aqui pra mandar um recado: "Ozzy, meu filho, não deixa esses caras fazerem solos no seu show. Cante mais músicas, ok?"

E como eu me dou bem fazendo crítica dos serviços e não do show, vou continuar. A cerveja era Heineken, o que é bom, mas só a primeira foi gelada e sem fila. Depois, tive que encarar o tumulto pra pegar e tomar o troço com gelo. Não tinha comida lá dentro. O Sepultura abriu, o que é melhor do que o tal de Khalyce que abriu o show do Iron Maiden, mas não chega a ser tão bom assim. O Gui fala que o Andreas Kisser não sabe mais tocar as músicas do Sepultura da época do Max. Pra citar as músicas que eu gostei do Ozzy, escolhi uma que é só dele (Mr. Crowley) e uma que é do Black Sabbath (Paranoid).

***

As fotos, por enquanto, são só do Iron Maiden.

 O Steve Harris.
 Janick Gers. Fiquei do lado direito do palco e só deu pra fazer foto dele.
 Encontramos o Juca lá.
 Grrrrrr.
 Janick Gers.
Nós. O Gui cantando.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Há uma cidade dentro de você, uma ideia de cidade. Ela é mais forte do que a cidade que não é uma ideia, do que a cidade que está fora, e ela mora em você porque você quer morar nela, mas não mora. Você mora noutra, que pouco importa, e vai vivendo nessa enquanto a cidade de dentro se expande ou se contrai à medida que você sente que precisa de mais espaço ou de menos espaço."

Tenho uma pergunta e uma constatação.
Essa cidade que está na ideia existe na vida lá fora?
E o fato é que é bem difícil concorrer com a imaginação, onde os problemas são minimizados.

***

"As cidades pequenas, elas no fundo estão dizendo: você nasceu aqui, caso contrário, aqui não estaria."

Isso resume tudo, ok gente?

***

Os trechos são do livro Sinuca embaixo d'água, de Carol Bensimon, que estou lendo e adorando.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010, um ano...

... em que mudei de casa e até hoje não gosto muito dela.
... em que o trabalho foi legal, mas poderia ter sido melhor.
... em que fui muito feliz com o Gui - começamos o primeiro dia do ano juntos e completamos um ano em dezembro.
... de férias na praia com o Gui, as primeiras de muitas.
... de viagens internacionais das amigas queridas Fabi e Marô.
... de conhecer Caroll.
... de ser vizinha da Renatinha, a coisa mais massa que tem na nova casa.
... de cobertura de final de Sul-Americana, que eu gostei e não gostei ao mesmo tempo.
... de prova de fogo no fechamento.
... de show do Paul McCartney superespecial com o pai.
... de show do Belle and Sebastian com o Gui.
... de shows do Master e do Vader, pelo Gui.
... em que senti que não fui uma amiga muito legal.
... em que li pouco, mas com a impressão de ter ficado entediada com as leituras.
... em que comecei vários livros e não terminei.
... em que, em compensação, me apaixonei por Murakami.

Em 2011...
... quero fazer bons trabalhos.
... vou ver se dá tudo certo pra cobrir um grande evento.
... vou tirar férias com o Gui e tomara que seja em outro país.
... me planejar financeiramente pra viabilizar as férias.
... vou começar investindo num sapato oxford.
... vou ler mais Murakami, mas vou começar lendo o livro que estou terminando: Cartas ao cão.
... o Gui vai ser formar e eu estarei lá com ele.
... vou fazer planos pra me mudar de casa de novo.
... vou ser menos estressada, mas isso é uma meta de todos os anos e eu nunca consigo.

O Gui fez a lista dele dos dez melhores discos de 2010. E fiquei de fazer a minha também, mas aí lembrei que a minha lista de dez discos de 2010 deve ter uns... quatro só. Sugeri de fazer a lista dos dez melhores discos que comprei em 2010, mas o Gui não quis. Então, vou colocar aqui os dez dele e os meus quatro. E ele merece todo o carinho do mundo porque dos meus quatro, foi ele quem me deu dois. E eu também fico feliz de participar da lista dele de forma indireta, porque o número 1 dele fui eu quem dei.

***

Os dez melhores discos de 2010 - By Gui

1) Iron Maiden – The Final Frontier
O melhor disco da Donzela desde Seventh Son Of A Seventh Son (1986). Difícil de ser assimilado nas primeiras audições, mas exuberante quando compreendido. Belas e inspiradas canções.

Vá direto a “When The Wild Wind Blows”

2) Grand Magus – Hammer of The North
A prova de que o Heavy Metal tradicional ainda existe e reina absoluto. E de que a Suécia é realmente um país acima da média quando o assunto é o som pesado.

Vá direto a “Black Sails”

3) Apokalyptic Raids – Vol. 4 – Phonocopia
100% Hellhammer, com pitadas pontuais de Black Sabbath. Genial e feito por quem exala conhecimento de causa. Capa sensacional, diferente de tudo que já fizeram.

Vá direto a “Remember the Future”

4) Mondo Drag – New Rituals
Minha banda favorita na atualidade. 70% Black Sabbath + 30% The Doors. Aliás, melhor nem deixar Daniel Mundim ouvir isso aqui.

Vá direto a “My, Oh My”

5) Darkthrone – Circle The Wagons
Ode à destruição do Metal moderno. Não precisa de mais nada para ser fantástico.

Vá direto a “I Am The Graves Of The 80’s”

6) Robert Plant – Band of Joy
Se continuar lançando discos assim, que uma possível volta do Led Zeppelin nunca se concretize. Sir Robert Plant fez mais uma incursão na raiz da música americana e nos brindou com um disco estupendo.

Vá direto a “The Only Sound That Matters”

7) Violator – Annihilation Process
De Brasília para o mundo com o melhor do Thrash Metal. Old school sem ser piegas ou pedante. Um tapa na cara das bandinhas retro-thrash genéricas. Riffs alucinantes e velocidade descomunal. A verdadeira sensação de estar vivo.

Vá direto a “Poisonde By Ignorance”

8) Motörhead – The Wörld is Yours
O que dizer do seguinte refrão: “Rock’n’Roll music is the true religion, never let you down, you dance to the rhythm. Rock’n’Roll music is my religion; I don’t need no miracle vision; do it ‘till the day I die”?

Vá direto a melhor música de 2010, “Rock’n’Roll Music”

9) Master – The Human Machine
Paul Speckmann sabe como ministrar aulas de Death Metal puro e genuíno. Esse disco é apenas mais um “livro didático” sobre o assunto. Apenas o timbre da bateria poderia estar melhor, o que compromete um pouco.

Vá direto a “Impale To Kill” e ouça no volume máximo

10) Accept – Blood of The Nations
Sim, existe Accept sem Udo Dirkschneider. Mike Tornillo canta demais e Wolf Hoffmann continua o monstro de sempre e compondo riffs de outro planeta.

* Menção mais do que honrosa: Anders Osborne – American Patchwork
Ele é sueco, mas mora em New Orleans há 25 anos o fez o disco mais “alto astral” de 2010. Despretensioso, suave, romântico e com toda aquela malandragem de New Orleans. Só não figurou entre os dez melhores porque fui ouvir só agora já no fim de novembro.

Vá direto a “Meet Me In New México” ou “Echoes of My Sin”, ou “Acapulco”. Hehe.

***

Os dez melhores discos de 2010, que são quatro - By Paula

1) Arcade Fire - The Suburbs
Depois do maravilhoso Funeral, eu não tinha me empolgado nem um pouco com o Neon Bible. Na verdade, acho que até hoje não ouvi o segundo disco inteiro dos canadenses. Então, The Suburbs me fez voltar a gostar demais de Arcade Fire, que foi um dos shows mais lindos que já vi na vida, com a Régine com aquela flor vermelha no cabelo tocando o arcodeon. Deve ter algum relato disso aqui no blog, já que o show foi em 2005, mas fiquei com preguiça de procurar agora.

- Vá direto a Sprawl II (Mountains Beyond Mountains). É sério, a música começa meio Abba, bonitinha, dançantezinha, com aquelas vozinhas, e vai ficando sensacional.

2) Kings of leon - Come Around Sundown
Mesmo caso de uma banda que eu ouvia muito até três anos atrás, mas que eu tinha meio que esquecido. Já fui ao show também numa época que achava a banda muito massa, só achei os caras pouco simpáticos.

3) Belle and Sebastian - Write about love
Não é nem de longe um If you're feelling sinister, um The boy with the arab strap ou um Tigermilk. Mas é bom. E fazia tempo que eles não lançavam disco novo. E, claro, eu fui ao show. Inclusive, comprei o cd lá, porque no Brasil só foi lançado agora em dezembro. Tem a Norah Jones cantando com os escoceses uma música que ficou linda. E a música que dá nome ao disco tem participação daquela garota do filme Educação, a Carey Mulligan.

- Vá direto a I want the world to stop

4) She and Him -Volume Two
Gostei. E só. Mas não gostei desse lance de Volume Dois. O primeiro disco da dupla chama Volume Um e o segundo, Volume Dois. Coisa mais sem graça.

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Ainda tenho dois discos de 2010 embalados e, claro, que ainda não ouvi. Se já tivesse ouvido, não estariam mais embalados. O do Pavement e o do Elvis Costello. Então, posso me encantar com eles. Mas o do Pavement é coletânea, então não conta.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eu confesso. Não vou escrever nada de Belle and Sebastian, nem de 2010, nem de nada... Bem, mas até que é uma boa ideia escrever sobre 2010, hein? Isso porque só publiquei coisas aqui 13 vezes neste ano. Mas retrô sempre empolga. Em texto, em fotos... De qualquer jeito, é legal. E aí eu vou poder falar sobre o B&S na retrô.

***

Só posso dizer que o B&S era um dos shows da minha vida. E, como não sou tão ambiciosa assim, faltam poucos que eu gostaria muito de ver. Foo Fighters, Morrissey e Death Cab For Cutie são eles. Até que iria bem ver outro dos Strokes depois do disco novo que eles ainda vão lançar. É, iria bem mesmo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um show magnífico que ficou ainda mais por conta da companhia. Na verdade, não teria sentido se não fosse com o meu pai, por mais histórico e lindo e sensacional que seja Paul McCartney. Dito isso, não há muito mais o que falar sobre repertório, simpatia, banda, som. E também não estou fazendo matéria. Só os relatos de praxe, da muvuca e do que significou pra mim mesmo.

A verdade é que não foi fácil aguentar. Meu pai, que tem 58 anos, ficou mais inteiro do que eu, que tenho 28. Minhas costas doeram demais de tanto ficar em pé - lá pelas 19 horas, estávamos dentro do estádio. E a conclusão que tivemos (Fabi, Leijoto, eu e o pai) é a de que não adianta muito chegar antes. Não vimos o palco e não veríamos de qualquer jeito. A nossa localização era ruim. Fora da pista vip, tanto faz se você chega 14 horas ou 18 horas ou 20 horas. Já que não somos os loucos que chegam na quinta-feira, não faz muita diferença. Vimos pelo telão mesmo e sentimos a energia.

Tudo é organizado na medida do possível: bar, entrada e banheiro. Mas é cheio, né. E tem imbecis, o que quase, quase acabou com a minha festa. Bêbado com namorada louca que incomoda todo mundo (TODO MUNDO MESMO) em volta e não tem respeito com ninguém é dose. E aí fui questionar o cara e ainda passei raiva. Quase deu merda. Não deu, ainda bem, mas fiquei triste.

Com a mudança providencial de lugar, foi tudo tranquilo. E quando acabou, eu sentei. E agradeci por ter terminado. Sério. Fiquei acabada.

Sentir falta de uma música ou outra, é claro que todo mundo sente. Com a história que os Beatles têm e o que o Paul fez depois, é impossível não pensar que ele poderia ter tocado aquela música que "só" a gente gosta. Eu queria muito "I will", "In my life" e "For no one".

Mas nem de longe isso quer dizer que o show foi ruim. Pelo contrário. Nem que houve falha técnica no repertório. É uma escolha. São "só" 2h30 de show e olha que é tempo pra caramba.

E não tocou nada do único disco da carreira solo dele que eu conheço bem: o "Chaos and Creation in the Backyard". Isso, claro, tirando os Wings, que são uma banda e não carreira propriamente solo. E olha que eu acho o "Chaos and Creation" um disco muito bom, com músicas de todos os tipos: dançante, romântica e com pinta de hit.

Jornalista tem essas coisas de definir tudo né. E tem aquela coisa de resumir em uma palavra. Então, aí vai. O show do Paul foi divino.

***

Hoje a Fabi falou que muita gente considerou que o segundo show, segunda-feira, foi melhor. Eu não gostaria nem a pau. As músicas diferentes e a abertura realmente mais legal custaram "I've just seen a face". Então, não vale.

***

Sim, escrevi do Paul antes de escrever do Belle and Sebastian, que também ficou mais lindo por causa da companhia do Gui. Mas bem nos dias do show eu tive folga, voltei e trabalhei demais e perdi a empolgação pra escrever. Mas ainda vou fazer isso. Ah, vou. Ainda estou refletindo sobre qual show foi melhor (essa foi só pra implicar), mas a cerveja no Paul foi mais barata do que no B&S (R$5 e R$6). Mas ainda foi cara.

***

Set list do show de domingo do Paul. Peguei no Uol.

Venus and Mars / Rock Show
Jet
All My Loving
Letting Go
Drive My Car
Highway
Let Me Roll It / Foxy Lady (Jimi Hendrix cover)
The Long and Winding Road
Nineteen Hundred and Eighty-Five
Let 'Em In
My Love
I've Just Seen A Face
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Something
Sing the Changes
Band on the Run
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Back in the U.S.S.R.
I've Got a Feeling
Paperback Writer
A Day in the Life/Give Peace a Chance
Let It Be
Live and Let Die
Hey Jude
Day Tripper
Lady Madonna
Get Back
Yesterday
Helter Skelter
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band/The End

***

É, o tombo. Me desculpem os fãs mais, digamos, intolerantes com uma piadinha, mas no futuro o show de domingo também ficará conhecido como "aquele em que o Paul caiu no final".

***

Tentei colocar umas fotos aqui, mas não deu. Tento mais tarde.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Juro que queria escrever mais aqui. Ou escrever aqui, já que agora nem pouco eu escrevo. Eu até começo a esboçar umas linhas de vez em quando. Até tento organizar os pensamentos pra conseguir um texto coerente. Ou os pensamentos são tão loucos que isso se torna impossível ou nem há tantos pensamentos assim. É um pouco dos dois, eu acho.

Também já parei de "achar" as coisas. O que eu acho? Não acho nada, pô. Mania do povo de sempre ter que achar alguma coisa. Tô cheia dos achismos, dos julgamentos sem base, das informações não confirmadas, das apostas cegas.

Juro que até leio coisas interessantes que me motivam a fazer comentários aqui. Até anoto no bloquinho pra lembrar depois. E o bloquinho é lindo, gente! Meg foi quem me deu, trouxe de viagem, tem aquela imagem que o Andy Warhol produziu a partir da fotografia da Marilyn Monroe. Ela comprou na loja Galison de Nova York.

Está tudo lá anotado: trechos do Mulher Perdigueira, livro que estava lendo e parei porque já me cansei dele; umas coisas do Twitter; uns endereços de blogs pra entrar depois; está tudo lá junto com o número da conta de banco em que eu pago o aluguel.

Mas depois passa a vontade e não lembro mais o que pensei sobre aquelas coisas que estão lá.

***

Só sei que não posso passar nessa vida sem aprender uma coisa: maquiar o olho com delineador ou lápis normal (principalmente embaixo do olho). Outro dia até olhei os cursos de maquiagem da Renner. Mas só tinha com consultoras das marcas rampeiras. Se eu vou gastar dinheiro num curso e a inscrição é em compra de produtos, vou gastar com uma marca boa. Aí desisti. Só por enquanto.

***

Ando com saudade...
... de comer leite condensado.
... de ter blog de esporte no jornal.
... de nadar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Ok. Não foi ontem, nem no fim de semana, nem na semana passada. Foi no dia 19 de agosto. Mas o caso é que fui ver o Paul Di'Anno. E não escrevi sobre isso. Eu sei que faz tempo, mas amanhã termina a turnê dele pelo Brasil, em Guarulhos, depois de um mês e dois dias e 20 cidades. Então, aproveitei e escrevi (meio sob pressão, é verdade). Mas jornalista é assim. Tem que achar um gancho pra tudo.


O show do Paul Di'Anno é legal. Muito legal, até. O problema é que a gente fica o tempo todo esperando que ele caia no chão, morto ou vítima de parada cardiorrespiratória. É sério. Ele mesmo passa o show inteiro dizendo que vai morrer e que não consegue respirar. E aí a gente acaba esperando mesmo que isso aconteça a qualquer momento. Mas ele não morre. Nem dá uma caidinha.


Por causa de falta de ar e saúde decadente, ele tosse o tempo todo, só consegue ficar em pé porque se apoia no pedestal do microfone, usa uma bombinha de ar e sai do palco pra descansar um pouco no meio do show. Tem coisas que nunca voltam a ser como antes. Paul Di'Anno é uma delas.


Mas ele diz e faz coisas legais. Pra começar, me cativou com a força de vontade com que canta. E tenta ser simpático. Só no show. Mas ele até conseguiu se redimir da imagem de arrogante e babaca que passou na tarde de autógrafos no dia anterior.


Sim, eu fiz um intensivo de Iron Maiden e Paul Di'Anno nos dois dias que antecederam ao show. Na terça-feira, Gui me fez ver um DVD com a história da banda, da qual Paul Di'Anno saiu em 1982, e fomos na tarde de autógrafos do cara na quarta, um dia antes do show, comemorativo por causa dos 30 anos do Iron Maiden, nome do disco de estreia da banda em 1980.


O lance é que ele foi meio imbecil na tarde de autógrafos. Gui levou dois discos (Iron Maiden e Killers, os que ele produziu com a banda), um DVD (o que a gente viu) e um flyer (da turnê). Ele assinou e tirou foto na maior má vontade. Nem deu moral. Com o Thiago, depois da gente, ele sequer olhou pra foto. Mas, no outro dia, ele foi legal. E vestiu uma camiseta dos Goonies.


Paul Di'Anno abriu o show com Ides of March. Não sou fã nem nada, mas achei que ele poderia ter aberto com uma música do álbum que faz 30 anos em 2010. Mas eu sou metódica mesmo e isso não tem que ser regra. Então, tudo bem. Depois, vieram mais 20 músicas. Ele fez piadas. Antes de Strange World, disse que ia tocar uma música das Spice Girls, porque ela começa tipo uma baladinha.


E o povo adorou tudo. Eu adorei. Dancei. O momento mais massa foi Phantom of the Opera. Mas eu tinha derrubado um pint de Guiness, ainda cheio, um pouquinho antes. Droga.


No final, Guilherme não acreditou que ele voltaria para o bis. Era possível que saísse de lá direto pro hospital, sei lá. Mas ele voltou, cantou Transylvania, disse que Ramones é a melhor banda do mundo, cantou Blitzkrieg Bop e eu pulei muito. Depois, ele finalizou com outra música, cujo nome não lembro e não consegui ler no set list. Olhei pro lado e um pai, que antes pulava feito maluco em Phantom of the Opera, segurava no colo o filho que dormia um sono profundo em meio à barulheira. Não aproveitou o finalzinho do show. Mas é que tem coisas que nunca voltam a ser as mesmas como antes. Tipo ir a um show de rock como na adolescência. Tipo Paul Di'Anno.


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Comecei a escrever isso ouvindo Belle and Sebastian (The Life Pursuit). Mas confesso que não deu. Quando coloquei Ramones foi bem mais legal.


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Paul Di'Anno torce pro Corinthians. Numa entrevista a Felipe Machado, diz que acompanha o time há 18 anos e que começou a paixão quando viu Sócrates jogar: "Quando vi Sócrates, foi como ver Deus". Ele é membro da Gaviões da Fiel.

segunda-feira, 26 de julho de 2010



Prestes a embarcar para uma turnê na Europa, o Vulcano atravessa uma das melhores fases de sua longa e invejável trajetória. Formada em 1981 e oriunda de Santos, a banda passou por Goiânia no último dia 18 e, tivemos a oportunidade de bater um papo com Zhema Rodero, fundador e hoje guitarrista do Vulcano, além de uma das maiores lendas do heavy metal nacional. Com um vasto conhecimento de causa, Zhema falou sobre a história da banda, os últimos discos, a polêmica saída do vocalista Angel e sobre o cenário da música extrema no Brasil nos anos 80. Tudo com muitos detalhes e curiosidades. Confira.

Por Guilherme Gonçalves
Fotos: Eder “Caverna” Sales

Guilherme Gonçalves: Não dá para começar nossa conversa sem destacar um dos fatos mais importantes na história e na trajetória de vocês, que é justamente o fato de o Vulcano ser considerado a primeira banda a tocar metal extremo na América Latina. Olhando para trás, qual a importância disso? Qual é o real significado disso para você?

Zhema Rodero: Essa importância veio depois de um determinado tempo. Quando a gente começou a fazer isso em 1983, 1984, ninguém tinha noção do que seria 2010. (risos) Então, eu
comecei a perceber essa importância só no final dos anos 90. Foi aí que eu comecei a ler algumas entrevistas, surgiu também a internet. Pude perceber que o Vulcano teve uma importância muito grande. Poxa, eu fico muito orgulhoso de ter participado da cena, de ter ajudado a construir a cena. Mas é uma noção que eu fui ter só no fim dos anos 90 para começo dos anos 2000. Talvez até pela espontaneidade daquela época.


Pensando ainda nesse começo do heavy metal no Brasil, que nascia no início da década de 80, os primeiros shows, festivais, coletâneas... O que chegava ao Brasil? O que já dava para ouvir? Vocês do Vulcano estavam escutando o quê lá de fora?

Chegava o mainstream. Chegava muito AC/DC, Led Zeppelin, Kiss, Van Halen, as bandas normais do mainstream da época. Só que tinha uma banda, que também já estava ficando grande, que era o Motorhead. Acho o Motorhead um divisor de águas. Eu gostava muito de Black Sabbath e de Motorhead. Aí quando eu vi o Venom pela primeira vez... (risos) Falei: “Caramba, é isso!”. Então, Motorhead, Black Sabbath e Venom são as bandas que influenciaram o Vulcano a fazer o som que faz até hoje. Hellhammer veio um pouco depois.

E as bandas nacionais? Tinha alguém que também já estava fazendo um som parecido ou era basicamente rock’n'roll e heavy metal tradicional?

Metal extremo era mais difícil de encontrar. Havia só algumas bandas. Tinha o pessoal do SP Metal, o Centúrias, o Abutre. O próprio Korzus, que na época era mais light. Então, esse pessoal do SP Metal era, vamos dizer assim, o que a gente conhecia de brasileiros fazendo rock’n'roll. Fora aquele pessoal um pouquinho mais conhecido, que era o Made in Brazil, Patrulha do Espaço, o Tutti-Frutti, que já tinha se dissociado da Rita Lee. Esse era o cenário. O pessoal do SP Metal fazia um heavy metal bem tradicional, à lá Judas Priest. Já a gente tinha uma outra linha. Era até um pouco difícil de compatibilizar nos mesmos shows essas bandas.

Você comentou do “Live!”, e sobre esse disco, em especial, vocês na época já percebiam que se tornaria um clássico ou o reconhecimento veio só depois, assim como foi com a banda? Como ele ajudou a construir e fortalecer a cena e o que ele representa hoje?

O “Live!” foi o disco que fez o Vulcano ser conhecido não só no Brasil, mas também no exterior, posteriormente. O “Live!” tem uma história interessante. Esse pessoal que tocava em São Paulo, essas bandas de heavy metal tradicional que mencionei, tinham projetos de shows, mas o Vulcano, por ser de Santos, nunca conseguia tocar. Era difícil. A banda não conseguia entrar em São Paulo. Tocamos em um ou outro show feito pelo Celso Barbieri. Ele que levava a gente para São Paulo. Só que no interior do estado, a gente tocava bastante. Daí eu tive a seguinte idéia: já que eu não consigo tocar em São Paulo, eu vou gravar um disco ao vivo e vou colocar lá para a turma ouvir. (risos) E foi o que eu fiz. Fomos em Americana, gravamos o “Live!” e colocamos lá. Ele foi um verdadeiro estopim. Eu não esperava nada. Esperava, em seguida, no máximo, fazer um álbum de estúdio. Mas ele se tornou um ícone. Não é um disco bem gravado e, até de certa forma, tosco. Só que virou um ícone. Tanto aqui como lá fora. É um negócio impressionante, foi um fenômeno.

Analisando o que veio a se configurar a cena heavy metal no Brasil pouco tempo depois, podemos perceber o surgimento de três grandes pólos, cada qual com sua banda expoente em potencial, por assim dizer. Em São Paulo, em Santos, o Vulcano. No Rio de Janeiro, o Dorsal Atlântica, e, em Minas Gerais, o Sarcófago. Claro que cada local tinha várias outras bandas, mas são os principais expoentes. Como era o intercâmbio e as relações entre esses pólos e as bandas?

Quando o Vulcano começou e, pouco tempo depois lançou o “Live!”, eu descobri que no Rio tinha o Metalmorphose e o Dorsal Atlântica, que na época fizeram aquele split, o Ultimatum. Logo em seguida, eu escrevi uma carta pro CarlosVândalo e nós tivemos uma grande amizade, que durou anos. Tanto que nós fizemos vários shows. Vulcano e Dorsal fizeram muitos shows, muito mais do que Vulcano e Sepultura, por exemplo, que fizeram 3 ou 4 shows juntos, no máximo. Vulcano e Dorsal Atlântica tocaram juntos até o fim do anos 80, quando o Vulcano parou. Depois veio o Sarcófago. Em relação ao Sarcófago, quem tinha muita amizade com o Wagner Antichrist era o nosso guitarrista na época, o Zé Flávio. Ele ia para Minas Gerais, ficava na casa do Gerald, do Wagner. Mas Vulcano e Sarcófago faziam coisas diferentes. O Sarcófago veio um pouquinho depois. Eram propostasdiferentes. Em Santos, na época, havia bandas de rock'n'roll mesmo. Hard rock e rock’n'roll. Quase não havia uma cena e o Vulcano era, de longe, a banda mais extrema da época. Aliás, durante muito tempo, Santos foi um lugar mais conservador. Agora não, lá tem muita banda de metal extremo.

Depois de um hiato de quase 15 anos, o Vulcano voltou e lançou dois discos: “Tales From The Black Book”, em 2004, e “Five Skulls And One Chalice”, em 2009. Quais são as características dos dois? São álbuns com a velha pegada do Vulcano, que agrada os fãs mais antigos? Têm também novos elementos paraa apresentar uma banda revigorada e pronta para conquistar novos adeptos?

O “Tales From The Black Book” já tem seis anos. Acho que ele é uma re-leitura. Não, re-leitura não. Acho que é uma palavra esquisita e que não se encaixa. O “Tales...” é uma continuidade do “Bloody Vengeance”(1986), na minhaopinião. Se não tivéssemos feito o “Anthropophagy”(1987), teríamos feito o “Tales...”. Não que as músicas sejam daquela época, mas o clima para compor foi o mesmo. Quem ouviu, gostou, e quem ouvir, vai gostar. Ele tem pegada e composições bem anos 80, mesmo sem ser proposital. Mesmo após tanto tempo parado, foi algo que não se perdeu. Já o “Five Skulls...” é um pouquinho diferenciado. Ele é um “Tales...”, só que aprimorado. Ele é mais pro thrash metal. Tem muita pegada de guitarra, muitos solos. Infelizmente, a gravação da voz não ficou muito legal. Acho que ficou estranha. Todos que ouvem também percebem alguma coisa estranha na voz. Realmente não ficou muito boa, mas é um disco legal, no geral.

No começo do ano, a banda anunciou a saída do Angel, lendário vocalista do Vulcano, e a entrada de Luiz Carlos Louzada. Qual foi o motivo dessa modificação tão significativa na formação?

O Angel já vinha tendo problemas e dificuldades familiares havia uns três ou quatro anos. Não foi e não vinha sendo uma boa época para ele. Além disso, ele é tatuador e as “vendas” também vinham caindo. Devido a isso, ele meio que se isolou eprecisou dar um tempo. A banda deixou de ser prioridade para ele. Fazia uns dois anos que o Vulcano não fazia show por conta disso. Quando pintou a oportunidade da turnêna Europa, agora em novembro, perguntei se dava para ele e a resposta foi negativa. Avisei, então, que chamaria o Luiz Carlos pro posto. Depois de um tempo, ele até tentouvoltar, mas o Luiz Carlos já estava integrado e fazendo shows e tive que falar que não dava mais.

Hoje em dia, depois de tanto tempo na cena, você ainda continua ouvindo e procurando coisas novas? Gosta do que tem surgido e ainda ouve o que chega para você?

Gosto! Tem muita coisa boa. Só que não procuro mais, porque as coisas chegam. (risos) Pelo fato de ser do Vulcano, sempre recebo muito material. Sem falar na internet. Do Brasil, eu ouço quase tudo. Tudo o que me mandarem eu vou ouvir e vou guardando na garagem, porque já não cabe mais em casa. É muito material que chega, mas já ouvi todos. Uma coisa que tem me chamado a atenção é a cena do Paraguai. É uma cena que eu não conhecia, mas que tem umas bandas muito legais. Tem uma tal de Caceria, Violent Attack, tem umas quatro bandas muito boas. É um thrash metal old school, bem oitentão, cantado em castelhano e tal! (risos)

Uma curiosidade: o Vulcano acompanhou de perto o surgimento e o crescimento do death, do thrash e do black metal. Vocêconsidera que o Vulcano toca o quê? Nos anos, 80 a banda era chamada de quê?

O Vulcano começou como black metal. Já tinha a música e o disco do Venom e o Angel, se você prestar atenção e ouvir no “Live!”, fala muito “black metal! black metal!”. (risos) Então, a gente foi considerado black metal. Mas, na verdade, eu nunca achei que o Vulcano foi uma banda de black metal. Sempre achei que a banda foi death metal, que nunca abusou de vocal gutural e nem abaixou a afinação. Sempre tocamos em “Lá”, 440 Hz. A pegada eu acho death metal. Já as letras, sim. As letras são black metal. A capa do “Bloody Vengeance” (1986) também contribuiu muito para a banda ser considerada black metal. A capa, na época, chocou a Europa. Tanto quelá, depois de um tempo, saiu com outra capa, não é aquela com a igreja pegando fogo (risos).

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Eu sei. Este não é um blog especializado em música, muito menos em heavy metal. Mas prestigiar o namorado nunca é demais. E depois de fazer isso indo ao show do Vulcano no DCE da UCG, nada como publicar aqui a entrevista dele com o Zhema Rodero.