Paula Parreira

repórter + esportes + música + Itumbiara + jornal + Goiânia + futebol + mostarda + dorminhoca + tênis + blog + Guilherme + família + óculos + café + fotos + Pateta + O Popular + marshmallow + amigos

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Fiquei cinco minutos em quadra. Peguei na bola duas vezes, caí uma e aí... quebrei o nariz num encontrão com outro "jogador". Minhas tentativas esportivas nos últimos tempos não tiveram sucesso. Só me dei bem no boliche. Que urucubaca é essa? Nem parece que passei mais de dez anos da minha vida praticando esportes, no clube o dia inteiro, nadando e jogando vôlei. Agora acho que vou ficar no conforto (e segurança) do jornalismo esportivo.

***

Bastaram menos de 12 horas e uma única pesquisa naquele site. Sabe aquele papo de que mentira tem perna curta? Não foi exatamente uma mentira, mas foi bem parecido. No final das contas, eu ri. Porque é isso: a minha vida já está virando uma tragi-comédia (não sei como se escreve isso) barata, que curte com a minha própria cara e me faz passar (e protagonizar) por episódios idiotas.

Tenho uma considerável tendência para fantasiar relacionamentos. Aqueles que nunca vão dar certo já foram vividos por mim há muito tempo. Aqueles cheios de problemas se tornam um conto de fadas. Sobretudo nos últimos dias. E quando eu decido sacudir a poeira (literalmente) e esquecer de pensar, acontece tudo de novo.

Eu sei que é clichê, que todos vão dizer que existem as exceções, que isso não precisava ser uma regra, mas a conclusão é uma só: não dá pra confiar nos homens.

***

E como no final de tudo a gente ainda se diverte, fui jogar boliche. E ganhei! Podem dizer que é sorte de principiante, mas eu já acho que sou craque mesmo. Aliás, é o único esporte (mesmo com as discussões se boliche é ou não esporte) para o qual eu levo jeito.

***

E passou "That thing you do" na festa do meu fim de semana. Não acreditei! De repente, a noite tinha tudo para ser boa.

E foi mesmo... Uma noite de Cinderella. Com direito à carruagem se tornar abóbora e eu cair na real no outro dia.

"Baba-kiss", "Hay Ho, Silva", "Põe uma foto maior"... Expressões que marcaram o domingo à noite. Muito agradável, por sinal, ao lado de Ágatha, Rafha, Felipe e Hugo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Ainda no Rally dos Sertões, lembro que a gente estava em Palmas, na sala de imprensa, e o Julio me falou: "Olha Paula, o Maurício acabou de dizer que não vai mais jogar vôlei." E hoje eu entrevistei o cara, personagem das minhas lembranças de infância. E ontem mesmo eu contava para o Thiago as minhas, como diz ele, "técnicas rudimentares de treinamento de vôlei". É que, muito a contragosto, eu levantava para o time da escola e passava o treino todo dando toques com a pesada bola de basquete.

A entrevista foi um pouquinho sem-graça e eu fiquei pra palestra do Maurício depois. De história, tem uma do Mundial na Argentina que é legal, tem o fato de eu estar certa ao lembrar que ele foi padrinho de casamento do Dante, as vaidades do time de 1992 que o tiraram do topo, o mau momento com Radamés (mas eu queria que ele falasse mais sobre isso) e as tentativas do cara para adivinhar minhas perguntas. E isso eu odeio. Tudo bem que os jornalistas são repetitivos, nada criativos e sequer pesquisam as coisas quando vão fazer entrevistas. Mas não precisava avacalhar né...

***

Deixei de atualizar aqui, mas foi mesmo por falta do que falar. Sei que isso não precisar ser exatamente um empecilho, mas não tenho mesmo o que dizer. Agora, encerrar o dia com esse jogo foi o melhor. Nem me importei de trabalhar dois períodos. Só uma conclusão: o melhor goleiro do Vila é o zagueiro Marquinhos Paraná. É que goleiro tem que ser meio louco, ter elasticidade e fazer defesas decisivas. Foi o que ele fez.

***

Tenho bebês novos e os vejo todos os dias. Estar no jornal às 23h30 de uma sexta-feira não é muito legal. A falta do que fazer ainda é pior. Pelo menos, a trilha sonora lá de casa tá boa. Não quero mais ouvir Autoramas. Dentro de uma loja, passou a música dos Strokes. Vontade de nadar. Fim de semana, folga e eu não posso ir pra Itumbiara. M...

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Quando saí de casa ontem, não imaginava que isso pudesse acontecer, mas o dia terminou tão bem, que é difícil acreditar pelos últimos dias. Comida, risadas, planos e delírios, tudo em grande quantidade. Mas, me diz! O que seria da gente, não fossem os nossos grandes planos, aqueles infalíveis mesmo, que nos fazem divagar e sonhar em busca de uma forma de executá-los? Vamos continuar assim. Eu tenho muitos planos infalíveis. E temos que arriscar. A gente tem que fazer isso agora. Senão, vamos fazer quando? Quando tivermos 50 ou 60 anos? E não tem essa parada piegas de que nunca é tarde para sei lá o quê...

***

Bebo pouca água. Durmo de meias. Leio suplemento adolescente do jornal. Sempre que eu penso em sair do jornal às 19 horas, acabo saindo um ou duas horas depois. Como hoje!

segunda-feira, 22 de agosto de 2005

Porque eu sofro tanto com dores nas costas?
Porque eu tenho um cd do Glenn Miller? Acho que é porque eu acho as músicas parecidas com as de desenho animado.
Quero um disco dos Autoramas...

***

Momento Narciso - Este blog já inspirou até Nick Hornby. No seu livro "Ladeira abaixo", que tem outro título em inglês que eu não sei qual é, ele fala sobre quatro personagens que estão prester a cometer suicídio. Eu não li o livro, só li uma matéria no jornal. E daí discute suicídio x coragem; o que seria mais corajoso: seguir a vida adiante ou decidir que viver não vale mais a pena? Rodrigo e Lessa já travaram uma discussão sobre isso aqui. Eu continuo irredutível: é mais corajoso quem consegue desistir da própria vida. Ai, acho que agora vou até ler "Alta Fidelidade".

Foi a Lídia quem sugeriu: "E se todos os momentos da nossa vida tivessem uma trilha sonora?"
Seria legal. A gente ia vivendo e escolhendo a música. Acho que isso ia me tomar um tempo. Eu ia me entreter muito mais com a escolha do disco do que com a vida que eu tenho pra viver. Então, deixa a vida escolher a trilha mesmo. Afinal, a vida conhece bem a gente e vai fazer a escolha certa. Tenho certeza de que a vida escolheria pra mim:
Para tomar café: nos dias de folga, pode ser Third Eye Blind, com "Faster"; nos dias de trabalho, Bob Dylan.
No trânsito, gostaria de ouvir Teenage Fanclub ou Elvis.
Para escrever matérias, ouviria Belle and Sebastian.
Para tomar sol, ia querer ouvir "Here comes your man", do Pixies.
Para namorar, claro, Marvin Gaye e Norah Jones.
Para o primeiro beijo, seria "Primavera", dos Los Hermanos. Singela, como o primeiro beijo deve ser.
Para os dias de sol, Bossa Nova, certamente. João Gilberto, Toquinho, Jobim, Roberto Menescal, João Donato...
Dias nublados, pra mim, combinam com Strokes. Ou Paralamas.
Junto com o grande amor, ia querer que tocasse "I can't stop loving you", do Van Halen.
Para ver fotos, ia querer ouvir Lemonheads.
Os encontros com meu pai seriam sempre regados a Simon and Garfunkel. Ou White Stripes. Estranho né?
No papo com as amigas, poderia ser Travis, Sixpence ou algo bonitinho e animadinho assim.
Se o papo fosse com você, acho que aceitaria um Ira, Titãs, Cazuza, Legião Urbana, Led Zeppelin, que eu nem gosto tanto. Mas poderia passar "Vida passageira", "Família", "Codinome Beija-Flor", "Quase sem querer" ou "Kashmir" que aí eu poderia até gostar.
Em festinhas, seria obrigatório tocar "Girl", do Beck, "That thing you do", do filme The Wonders, "Around the world" e "One more time", do Daft Punk, "Bizarre love triangle", do New Order, e mais um monte.
Em viagens, gostaria de ouvir Bealtes e The Who.
Em Itumbiara, eu ouviria Raimundos e Aerosmith, que foram as coisas que eu mais ouvi por lá. Nem eu acredito nisso!
E agora? Acho que tocaria "Loser", do Beck. Nada a ver com o significado, só estou com vontade de ouvir. Ou "Jonathan David", do Belle and Sebastian. Ou "Romance Ideal", dos Paralamas.

Depois do boletim que ouvi, nem me importo de o meu computador dar pau às 18h30. E eu com uma matéria enorme para terminar, cheia de box, contas, análises e entrevistas. Não tem problema, é sério! Mas como é que você conseguiu fazer isso comigo mesmo?

domingo, 21 de agosto de 2005

Aos 42 minutos, o Marcelo Mattos fez um gol. E, assim, num passe de mágica, cinco páginas de jornal caíram. Futebol é uma caixinha de surpresa, já dizia o poeta. E azar da imprensa.

***

Tudo normal. É fim de semana. E fui ao campo e vi corrida. Em algum momento, a minha vida tinha que voltar ao normal. Abri a caixinha do correio e peguei jornais de três dias. É só o tempo de eu fazer outra chavinha pra mim novamente. Meu prédio podia tanto ter porteiro... Goiás empatou com o Corinthians, almocei na minha tia, chequei as datas do show, vi meu primo, usei brinco e ouvi uns cds velhos. Mas podia mesmo ter ficado com os novos.

***

Não dependo mais de mim, preciso de você. Quero que me salve, que me tire daqui. Eu não consigo. Não tenho mais forças. As coisas estão tão ruins, mas já me acostumei com elas. Você melhoraria tudo. Tudo mesmo. Com você, não me importaria de dirigir neste trânsito horrível, à meia-noite de um sábado, enquanto volto do trabalho e todos os outros carros procuram diversão. Não me importaria, afinal, te encontraria quando chegasse. Talvez por isso eu nem choraria mais ao volante. No mercado, não compraria pão-de-queijo, pizza e achocolatado. Compraria o que você gosta, e levaria pra você. Mas qual é a sua comida preferida mesmo? Tá chegando o dia de te presentear. Poderia ser algum cd legal. Mas de quais músicas você gosta mesmo? Tem tanta coisa que eu não sei...

sábado, 20 de agosto de 2005

Detesto caixa de mensagem de celular. Principalmente quando sou eu tentando ligar. E odeio despertador que não toca. Principalmente porque aí não dá tempo de tomar café tranqüila. Detesto pensar besteira, perder tempo com balada ruim (apesar de ter encontrado meus amigos) e ficar surpresa com as coisas.

Joguinho de bola daqui a pouco. Matéria de bastidores. Isso tudo depois de um filminho que faz a gente acreditar em relacionamentos, amor, destino, essas coisas bobas. Mas tinha que tocar "Uuuu, no, baby, please don't go"? Isso daí não precisava...

Será que eu tenho salvação?

Acho que tudo vai ficar bem depois que eu conseguir. Hoje o dia tá pra filminho em casa, sozinha e quietinha. Pra não ter erro!

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Mau-humor ao acordar.
Seriado e programa de esporte.
Livro. História infanto-juvenil.
Pelé e Maradona, com Garrincha no meio.
Não gosto mesmo daquele comentarista.
Los Hermanos.
Shopping e capuccino gelado.
Messenger e orkut.
Elogios.
Documentos para nova conta.
Artigos no jornal. Atrasados, inclusive.
Só para ler sobre Garrincha.
Uma lagrimazinha. E sorrisos.
Matéria apurada. Falta um retrospecto.
E-mail.
Valorizar a beleza? Não, outra hora.
Se, pelo menos, ele estivesse aqui.
Mais mau-humor.
A noite já pode chegar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Quem passa por aqui certamente leu sobre as minhas aventuras no Rally dos Sertões (o pouco que escrevi neste blog e a cobertura no blog do DM). É, gente. Não acabou ainda. Já tem mais de uma semana que o negócio acabou e eu ainda estou falando disso. É que vou postar aqui os relatos de três companheiros de viagem, que também são legais de ler.

A maioria dos jornalistas que acompanharam o Sertões escreveu algum relato pessoal sobre a experiência. Muitos eram marinheiros de primeira viagem, como eu, a Carol, a Camila, o Robson Curitiba, o Julio e o Martín. O Robson Goiano cobriu o Sertões pela terceira vez, assim como Tiaguinho e Solano. O Thiago Rocha acompanhou a caravana pela quarta vez. A Isis e a Zarhi também já tinham ido.

Bem, vou colocar aqui o texto do Julio Calmon, repórter do Jornal do Brasil, sobre a sua navegação. Ele escreveu outro relato super legal em Palmas, mas eu não encontrei no site. Como dizia o Gilmar, "o Julio quase não dormia à noite, mas dormia o tempo todo no carro". Acho que ele não vai gostar disso. O Daniel Costa, o Dani, cobria o Sertões para o site Webventure. Trabalhava pra caramba. E me deixou dormir na cama em Cavalcante, enquanto ele dormiu num colchão horrível na casa em que alugamos. O Robson Curitiba me emprestou blusa de frio, tomou cerveja e comeu espetinho comigo, e me ajudou no bóia-cross no rio. Eu tinha que retribuir de alguma maneira, então o ajudava a arrumar lugar para tomar banho. Tá bom, né Curitiba? Ah, Julio e Curitiba já comentaram o blog.


Poeira, adrenalina e suor: Sertões 2005
Por Daniel Costa, do site Webventure

O Sertões é uma aventura para todos que resolvem desafiá-lo, dos mais conceituados pilotos do país, passando pelos melhores navegadores, mecânicos, motoristas, autoridades, organizadores, um batalhão de voluntários e a imprensa. Uma trupe itinerante de aproximadamente 1.200 pessoas que cruza o Brasil todos os anos pingando de cidade em cidade.

Esse ano, em especial, ao invés de cruzar o Brasil a prova fez um laço, começou e terminou em Goiânia. A chegada foi na última terça-feira, depois do almoço. Ao invés da cena clássica dos carros na beira do mar em Fortaleza, aguardados por uma multidão na praia, o Sertões foi recebido por cerca de uma centena de curiosos, no mesmo lugar onde aconteceu a largada promocional.

Os mais interessados na chegada dos veículos eram os jornalistas, ávidos para concluírem o trabalho de doze dias de muita aventura e, como não podia deixar de ter, muito perrengue. No começo de tudo, a primeira impressão para os que viajaram de São Paulo para Goiânia já anunciava o que viria pela frente. Após 14 horas de ônibus entre uma cidade e outra, o hotel não abriu vaga para acomodar os viajantes antes de duas horas de espera.

Começa a correria - No Sertões não há lugar para sono, como ficou comprovado em diversos acidentes. O prólogo começou seis horas após a chegada dos jornalistas que vieram de ônibus para Goiânia. A maratona começou ali.

Depois vieram mais cinco dias dormindo em barracas ou em salas improvisadas. A lembrança das belezas que vimos e as pessoas que conhecemos durante o dia se misturava com a ansiedade do que viria no dia seguinte e embalava o sono. Estar ali, no meio do nada, com pouca estrutura, não era problema para ninguém, fazia parte do jogo. Banho? Em vestiários das escolas que ficávamos ou na casa de algum camarada que nos abrisse a porta quando pedíamos. Nessas e outras que apareceu grande parte dos personagens que ilustraram a reportagem dos cerca de 40 jornalistas presentes.

No país dos extremos, a viagem ao cerrado no Rally dos Sertões só poderia comprovar a tese. Na maioria das salas de imprensa, em hotéis, improvisada nos colégios estaduais ou até mesmo construídas na beira do lago Luis Eduardo Magalhães em Palmas, enquanto os jornalistas penavam para conseguir conexão por rede, os que tinham Wi-fi conseguiram enviar seus dados sem o menor problema.

Em Santana do Araguaia, por exemplo, em qualquer lugar da região urbana do município havia conexão sem fio. Mas deixa estar, ao chegar de volta nas redações, com certeza o clima é unânime. Já estamos na contagem regressiva para o Sertões 2006.


Por 10 dias o cerrado virou sertão
Por Robson De Lazzari, da Gazeta do Povo, de Curitiba

Dez dias para percorrer 4.500 quilômetros pelo interior do Brasil. Este foi o desafio aceito por mais de 300 pilotos e navegadores, distribuídos em 227 veículos (carros, motos e caminhões) na 13.ª edição do Rally Internacional dos Sertões. Em 2005, a maior prova off-road do país seguiu um trajeto diferente. Ao invés do sertão nordestino, o cerrado do Centro-Oeste e regiões vizinhas à floresta amazônica. A mudança de habitat não diminuiu as dificuldades da disputa: quebras, acidentes, noites mal dormidas e muita emoção marcaram a competição, acompanhada com exclusividade para a imprensa paranaense pelo repórter da Gazeta do Povo, Robson de Lazzari, que conta os bastidores dos dez dias em que o cerrado virou sertão.

31/7: de Goiânia (GO) a Aruanã (GO)

Para quem estava havia três dias em Goiânia, o começo do Rally dos Sertões foi até demorado demais. Toda a expectativa se transformou em realidade nos 500 quilômetros de estrada entre a capital de Goiás e a pequena Aruanã, cidade de 5 mil habitantes, na divisa com Mato Grosso. Os poucos trechos de asfalto eram rapidamente esquecidos no meio de muita terra, poeira e buracos. Porém, havia espaço para as belas paisagens do cerrado. Quando a caravana chegou a Aruanã, todos foram recompensados com a visão da margem do rio Araguaia. O calor quase insuportável era rebatido por uma aprazível brisa que vinha da água. Na prova, os favoritos começavam bem. Os bicampeões dos carros, Guilherme Spinelli e Marcelo Vívolo, largaram na frente. Entre as motos, Jean Azevedo, e nos caminhões, Ricardo Domingues e Nilo de Paula, também confirmaram os prognósticos.

01/08: de Aruanã (GO) a São Félix do Araguaia (MT)

Assim que os jornalistas despertaram (às 3h45 da madrugada), mal sabiam que estavam prestes a enfrentar o dia mais longo e difícil do Sertões 2005. Além da distância entre Aruanã e São Félix do Araguaia (636 quilômetros), o principal adversário eram os buracos nas estradas de terra. Rodovias federais que cortam o estado do Mato Grosso são inacreditavelmente precárias e fizeram o deslocamento durar 12 horas. Pelo menos algo compensava: as admiráveis paisagens da região Centro-Oeste. O cerrado dominou o trajeto em intermináveis vistas de ambos os lados da pista. Matas baixas que contrastam com a vegetação ciliar da beirada dos rios. Na desgastante prova, Kléver Kolberg e Luiz Palu vencem entre os carros. O veículo de Spinelli não completou o percurso e o piloto perdeu muitas posições. Nas motos, Jean Azevedo seguiu imbatível; nos caminhões Carlos e Guido Salvini venceram.

02/08: de São Félix do Araguaia (MT) a Santana do Araguaia (PA)

Após uma noite de sono precário, sobre um saco de dormir no chão de uma sala de aula, a reportagem da Gazeta do Povo seguia para conhecer mais um estado brasileiro: o Pará. Foram mais 600 quilômetros entre dois municípios banhados pelo Rio Araguaia. No caminho para Santana do Araguaia, mais uma bela constatação: as paisagens agora não são apenas do cerrado. Na porta de entrada da floresta amazônica, vários trechos de mata fechada se destacavam. No rali, os futuros campeões dos carros, Edu Piano e Rogério Almeida ganharam a etapa e assumiram a liderança. Nas motos, o chileno Carlo de Gavardo começou a se firmar na segunda posição e o espanhol Marc Coma, constantemente punido por infringir a velocidade, ameaçou desistir. Entre os caminhões, os terceiros vencedores diferentes em três etapas: Luciano Cunha e Carlos Brites.

03/08: de Santana do Araguaia (PA) a Palmas (TO)

O receio de ficar preso no congestionamento para atravessar a balsa sobre o Rio Araguaia na fronteira do Pará com Tocantins fez os jornalistas saírem na noite anterior à prova e dormirem logo após a travessia. A decisão trouxe um prêmio de 40 minutos, tempo que durou a travessia do rio: um céu estrelado sem fim no meio do silêncio e da escuridão. No dia seguinte, em Palmas, mais atrações na mais nova capital brasileira. O calor de 37 graus foi enfrentado com vários mergulhos nas praias do Rio Tocantins. Na competição, Klever Kolberg e Luiz Palu reagiram, vencendo a etapa. Nas motos, Coma seguiu com problemas e Gavardo venceu novamente, mas não atrapalhou a liderança de Jean Azevedo. Já nos caminhões, tudo embolado. A segunda vitória de Domingues e de Paula não impediu que os regulares Amable Barrasa e José Papacena chegassem à liderança.

04/08: de Palmas (TO) a São Félix do Jalapão (TO)

Dentro do estado de Tocantins, o comboio do Sertões invadia uma área praticamente inexplorada. O Deserto do Jalapão impressionou pela beleza e por revelar realidades desconhecidas da grande maioria dos brasileiros. Na pequena São Félix (cerca de mil habitantes), nem parece que estamos no século 21. Apenas um telefone público atende à população e o contingente de policiais da cidade foi mais do que dobrado pela presença do rali (de três para oito). Já preparada para enfrentar a noite em barracas, a caravana do rali, por sorte, havia comprado em Palmas os ingredientes para um churrasco que serviu de jantar e animou o pacato lugar. Nos mais de 400 quilômetro de trecho cronometrado, a metade dos carros e motos ficou pelo caminho. Melhor para Piano e Almeida, nos carros, e Jean Azevedo, nas motos. Entre os caminhões a disputa seguia equilibrada, vitória dos Salvini e liderança para Barrasa e Papacena.

05/08: de São Félix (TO) a Natividade (TO)

Desbravar o Tocantins não é mesmo um belo programa de férias. Imagina ter de sair do deserto brasileiro pelo mesmo caminho que entrou, retornar à Palmas e só da capital ir para Natividade. Tudo isso levou cerca de 10 horas e quase 600 quilômetros. Pior era saber que a hospedagem, novamente, era dentro do acampamento de uma escola agropecuária. Lições de vida à parte, o rali seguia equilibrado. Nos carros, Spinelli e Vívolo já não tinham chance de vencer, mas levaram a etapa. Entre as motos, Coma abandonou com problemas mecânicos e a disputa se restringiu a Azevedo e Gavardo, que ganhou a etapa do dia. Nos caminhões persistiu o equilíbrio. Mesmo sem vencer, Barrasa e Papacena se distanciaram em primeiro. Cunha e Brites foram os mais rápidos no dia.

06/08: de Natividade (TO) a Cavalcante (GO)

Passado o rústico Tocantins, o Sertões não trazia facilidades pelo interior de Goiás. Até Cavalcante, nas proximidades da Chapada dos Veadeiros, os 329 quilômetros incluíam terra e asfalto. O consolo pós-viagem era saber que a região é cheia de cachoeiras, montanhas e rios. Os 32 graus do ?inverno? da região Centro-Oeste foram aliviados pela beleza das atrações locais. Um prêmio para quem desbravava o interior há sete dias. Porém, à noite, a casa dos jornalistas foi o ginásio de um colégio. Na competição, Spinelli e Vívolo venceram novamente nos carros, mas estavam muito longe dos líderes. Na categoria motos, triunfo do chileno Gavardo, e liderança cada vez mais sólida de Azevedo. Nos caminhões a nova vitória de Domingues e de Paula não ameaçou os regulares Barrasa e Papacena no primeiro posto.

07/08: de Cavalcante (GO) a Padre Bernardo (GO)

No caminho para Padre Bernardo, uma escala no Vale da Lua, atração mística da Chapada dos Veadeiros. Após três noites longe de uma cama, as dificuldades da viagem já são enfrentadas com naturalidade. A contagem regressiva para o fim do rali começava e fazia até esquecer que mais uma vez o sono seria no saco de dormir, apesar de estar dentro de um belo hotel fazenda freqüentado pelas elites goianas e brasilienses. Os 300 quilômetros de prova tiveram a travessia de vários rios, o que dificultou a etapa. Nos carros, Spinelli e Vívolo ganharam pelo segundo dia seguido, mas não incomodaram Pinao e Almeida. Nas motos, Jean Azevedo era mais líder do que nunca. Domingues e de Paula se firmaram no segundo lugar dos caminhões. Porém, distantes dos líderes Barrasa e Papacena.

09/08: de Padre Bernardo a Brasília (DF)

?Enfim, a civilização!? Esse era o grito de todos os participantes da 13.ª edição do Rally dos Sertões quando desembarcaram na capital federal. Em Brasília, tudo era uma maravilha: os banheiros limpos, o hotel confortável e a comida saborosa. Parecia um sonho chegar a uma cidade grande e estruturada. Para os competidores, a linha de chegada no autódromo da capital não significava que o percurso tinha sido de pistas tranqüilas e asfaltadas. A penúltima etapa passou por trechos sinuosos e em montanhas que tinham abismos dos dois lados. As definições já eram claras após a prova. Edu Piano e Rogério Almeida nos carros, Jean Azevedo nas motos e Amable Barrasa e José Papacena dificilmente perderiam os títulos no último dia.

10/08: de Brasília (DF) para Goiânia (GO)

Até parecia mentira, mas se tratava da mais pura realidade: o Rally dos Sertões estava acabando depois de 4.500 quilômetros pelo interior do Brasil. O final do imenso trajeto em forma de laço percorrido pela caravana trazia o resultado de uma experiência inesquecível. O Sertões 2005 também ficará eternamente na memória dos campeões. Edu Piano e Rogério Almeida, nos carros, ganharam guiando um Chevrolet, terminado com dois anos seguidos de predomínio da Mitsubishi. Nas motos, Jean Azevedo se consagrou como pentacampeão na primeira vez em que o rali brasileiro valeu como etapa do circuito mundial. O chileno Carlo de Gavardo comemorou muito o vice-campeonato do rali. Afinal, o resultado lhe rendeu o bicampeonato mundial para motos até 450 cilindradas. Por fim, nos caminhões, algo inédito. Os regulares Amable Barrasa e José Papacena venderam mesmo sem ganhar nenhuma etapa.


Diário de um navegador
Por Julio Calmon, do Jornal do Brasil

Sertão: zona pouco povoada do interior do país, em especial do interior semi-árido, mais seca do que a caatinga, onde a criação de gado prevalece sobre a agricultura, caracterizada pelas tradições e costumes antigos. É o que dizem os dicionários. Bem, eu estive lá. Quer dizer, perto. Fui para cobrir o Rally do Cerrado, digo, dos Sertões. Rodei por parte do Centro-Oeste e Norte do Brasil, contemplando a bela paisagem de árvores baixas e retorcidas que cresceram sobre um tapete de vegetação bem rasteira. Um verde quase marrom.

E, para meu deleite, acabei participando efetivamente da prova. Havia um carro na competição que revezava jornalistas como navegadores. Por sinal, uma das grandes surpresas do rali. Pilotada por Norton Lopes, a picape de número 240, uma Mitsubishi L200 RS (versão de competição da L200 Sport), foi um sucesso. A cada etapa, gritos de alegria eram disparados na sala de imprensa.

Escolhi a terceira etapa, entre São Félix do Araguaia (MT) e Santana do Araguaia (PA), a primeira que tinha navegação com GPS. Um dia antes, ainda em São Félix, tive que assistir ao briefing (onde a planilha é passada ao competidores e são acertados os últimos detalhes). E foi ali, num restaurante às margens do Rio Araguaia, que tive a sensação que ia ter trabalho no dia seguinte.

- Trecho do km 26, lombadas de quatro curecas; km 42, cuidado com a ponte de madeira de três curecas - dizia alguém no microfone.

Aliás, cureca define o nível de periculosidade de cada obstáculo, que pode ser de uma até quatro curecas. Passei a madrugada lendo a planilha. Largamos às 10 horas, naquela ensolarada terça-feira. A especial (na verdade, o trecho que vale realmente) começava logo no início da etapa.

- Lombada duas curecas no km 45; depressão três curecas no km 80; km 93, cerca logo à esquerda - cantava eu. E, apesar da planilha estar equivocada muitas vezes, eu me saí bem.

Chegamos em décimo nessa etapa. Olha que 80 duplas estavam disputando o Cross Country nos carros. A suspensão da L200 é uma maravilha. Saltos enormes não eram o bastante para tirar a nossa brava Mitsubishi do rumo.

O maior problema que enfrentamos foi a poeira. Era impossível enxergar algo, principalmente quando havia outro carro à frente. No deslocamento, lembro que paramos em um posto de gasolina para beber um refrigerante. Ainda vestido de macacão e com capacete na mão, passei por um interrogatório dos populares:

- Você está correndo? Por qual equipe? Já foi campeão? Me dá um autógrafo? Posso entrar no carro? Tem um boné?

Não saí mais do carro. Só em Santana do Araguaia, na chegada. Tive sorte na minha experiência. Dois amigos jornalistas passaram por situações difíceis. Martin Fernadez, 24 anos, repórter do jornal A Notícia, de Santa Catarina, teve problemas mecânicos com o carro e ficou o dia inteiro pastando no deserto Jalapão, sob um sol de rachar a cuca. Já Paula Parreira, 22 anos, do Diário da Manhã, de Goiás, capotou com o carro durante o deslocamento. Mas ela e o piloto ficaram bem.

- Não gostei e não quero navegar nunca mais. É legal, emocionante e tal, mas eu não suportei os sacolejos do carro - reclamou a jovem repórter. Aliás, opinião bem oposta deste repórter que vos escreve, ainda contagiado pela aventura no cerrado.

Não fui ao campo. Não dormi tudo o que queria. Não achei nenhum acessório legal pra comprar. Não pedi crepe salgado. Não tive ânimo pra ler o livro ridículo, mas que eu adoro. Não falei com a mãe. Não comi pão-de-queijo. Não recebi mail. Não consegui falar com você. Não fiz aquela ligação que tinha que ter feito desde a semana passada. Não apareci na minha tia e ela até me ligou. Não consegui a entrevista até agora.

***

É normal ter vergonha de entrevistar, às vezes? É normal ter vergonha de falar ao telefone? É normal ter vergonha de falar com gente que eu não conheço?

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Algumas pessoas a gente espera incondicionalmente. Outras a gente espera, mas se disserem que vão voltar. Porque você apareceu quando eu não imaginava que fosse. E eu te espero voltar. Aquela música que eu ouvi na boate e achei legal é do Rob Thomas. Não consigo mais ouvir música calma. Queria beber água daquela fonte de água pura. A Lourdinha mandou eu ir embora e ouvir música. Aí eu fui.

"Você me tem fácil demais, mas não parece capaz, de cuidar do que possui..."

"Nosso amor vale tanto. Por você vou roubar os anéis de Saturno"

"Estou tão cansado
De viver de lembranças
E estupefato
Com esse amor à distância
Quantas noites pensei em você
Quantos shows querendo te ver"

"When you're feeling low
To whom elso do you go?
I'd cry if you hurt
I'd give you my last shirt
Because I love you so"

"Quem sabe o que é ver quem se quer partir
E não ter pra onde ir
Faz tanta falta o teu amor e te esperar
Não sei viver sem te ter
Não dá mais pra ser assim"

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Como disse para um amigo, daqui a pouco passa. Tudo é passageiro, mesmo que, na hora, a gente queira que dure para sempre. Então, sarei a overdose de música melosa com The Thrills e Kaiser Chiefs, ótimos sons, por sinal. Voltei ao normal. Daí veio o Lulu Santos com "Quando um certo alguém/Desperta o sentimento/É melhor não resistir/E se entregar". Ai, daqui a pouquinho passa, então. Porque eu sou brasileira e não desisto nunca (sempre quis escrever isso aqui). Só que, pensar assim já é desistir.

***

Novo programa legal: visitar sebos do Centro de Goiânia no sábado de manhã. Foi assim que comprei o livro "Viver nos limites", do médico da F1, Sidney Watkins. Aliás, não fiz uma matéria que queria muito ter feito no Sertões com o Dr. Clemar, o "Sid Watkins do Sertões".

***

Ressaca Rally dos Sertões

# Meu pai me deu um dvd do Sertões, com imagens de todas as edições entre 1996 e 2004. Não tem muita história narrada, só algumas. E eu não sabia de muitas. Como a do Collet na bicicletinha, a do acidente do Robert Nahas, com quem acabei dividindo quarto em São Félix do Jalapão (e também com a Zarhi, diga-se de passagem). Tem umas imagens (com áudio) de dentro do carro do Guiga, que tem ele e o Marcelinho pedindo passagem para o Klever. Achei o máximo e engraçado, porque no Rally todo mundo comenta que o cara não deixa ninguém passar. É a fama do piloto.

# Na cobertura do Rally, senti muita falta de algumas coisas, mas não de outras. Senti falta de capuccino (muita mesmo), Croc, do Giraffa's, meu banheiro, água quente, minhas músicas e família. Não senti falta de: casa, televisão, minha cama (exceto em São Félix do Araguaia), acordar tarde (por incrível que pareça), Vila Nova, ler jornal, dirigir, Goiânia e Itumbiara.

sexta-feira, 12 de agosto de 2005

Não era mesmo um bom dia para ouvir Ana Carolina, música brega e ler a sinopse de Antes do pôr-do-sol. Porque agora estou com mais saudade, achando tudo uma merda e com vontade de estar em outro lugar. Às vezes, até com vontade de que nada tivesse acontecido. Mas essa passa logo. Só que eu detesto perceber que agora a história é outra e tenho que seguir sem pensar em nada. Enquanto isso, vejo tudo com um olhar mais lento...

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Sobrevivi. Literalmente, porque o meu último dia de Rally dos Sertões foi premiado com uma capotagem dentro de Goiânia. O Norton dormiu no volante, subiu num barranco e capotou. A gente estava sem os cintos de seguranças e sem capacetes. Sorte.

Estou de volta ao blog. Durante o Rally, troquei este espaço pelo blog do Diário da Manhã, que foi atualizado quase todos os dias. Antes eu fiquei desconfiada, mas depois achei legal o resultado. Como não sei colocar link aqui, o endereço é www.dm.com.br/hotsite/rally20050728

Tenho muitas aventuras para contar. Ao mesmo tempo, a viagem foi um desastre e uma maravilha. E, se rolar, eu volto no ano que vem, certamente. Então, a viagem foi assim:

# Perdi barraca, saco de dormir e colchonete logo no primeiro dia. A mochila com as coisas estava no bagageiro do CrossFox e ficou pelo caminho. Sem lugar para dormir até voltar para Goiânia. Só conseguia pensar que, na maioria dos locais em que o Rally passaria, a gente não teria hotel... Isso porque passei uma semana treinando montar a barraca.

# Achei que não ouviria rock durante a viagem, mas foi só o que a gente fez. Killers, Smiths, Teenage Fanclub, Paralamas, Pixies...

# Bebi cerveja quase todos os dias, menos em Aruanã. O negócio é foda, a gente tem que relaxar de alguma forma.

# Disseram que a estrutura para imprensa neste ano foi bem pior. Eu não tenho como comparar, mas, de fato, tivemos vários problemas com transmissão de material.

# Não sirvo para navegadora. Passei mal na trilha e (pasmem!) fiz o Norton parar no meio da especial duas vezes para vomitar. Nunca mais sento lá do lado direito do carro para tal função. Como disse para o Rogério Almeida, ser navegador é ato de heroísmo.

# Forró embaixo do pé de manga? Festa atrás do muro branco? Foi isso o que a gente encontrou em Cavalcante...

# Essas pessoinhas fizeram a viagem ficar mais legal: Marcelinha, Carol, Camila, Julio (sem acento), Robson Curitiba, Robson Goiano, Martín, Zarhi, Ísis, Tiago Rocha, Solano, Tiaguinho, Luís, Fenerich, Luiza, Daniel, João Paulo, Arthur, Rodrigo França... E mais alguém que eu possa ter esquecido.

# Uma dessas pessoinhas aí em cima foi especialmente legal conhecer.

# Nadei em rio, subi as pedras de arenito no Jalapão, vi a Chapada, dormi em saco de dormir, acordei de madrugada, passei noite em claro...