Eu sei viver em apartamento. Entendo as necessidades alheias, imponho as minhas de forma razoável e respeitosa, sou educada com as pessoas e pago tudo no prédio em dia. Não faço coisas imbecis. Por exemplo, não coloco meu carro na vaga dos outros. Nunca. Quando meu pai vem de carro, peço uma outra vaga que esteja livre. Mas é óbvio que eu consulto antes. Não jogo o lixo na lixeira de dentro do prédio. Coloco, lógico, na lixeira enorme que tem na calçada. A de dentro é para o lixo pequeno das pessoas na garagem. Mas não. O povo do prédio coloca o lixo inteiro lá, inclusive caixas, restos de comida, coisas que são absurdas.
Lidar com o barulho alheio é o ônus de se viver em apartamento. O único barulho que faço é quando os meus amigos vão em casa, o que tem ocorrido, no máximo, duas vezes por mês. Não sei o quanto incomoda. Até acho que é pouco. O Leandro fala que incomoda. Só que ele mora na casa ao lado e a janela da irmã dele é bem de frente pra da minha sala. Mas, sabe, acho plausível ser tolerante em alguns momentos. Eu sou com os outros e entendo que as pessoas têm que descontrair de vez em quando na vida em apartamento. Enfim, a gente faz o que pode.
Mas o meu vizinho novo de cima, não. Ele realmente não faz o que pode. Já me disseram que o cara é do Pará. É que meus pais vieram em casa e fizeram um minissocial com o pai do rapaz. Aí ficaram sabendo. Não fosse assim, eu não teria nem olhado pra cara do velho. Mas o caso é que o cara do meu prédio só pode receber madeira do pai dele do Pará e fabricar móveis bem em cima da minha cabeça. Não há outra explicação. De manhã, o casa usa furadeira e martelo por horas a fio.
Ele tem que entender que tem alguém morando embaixo dele. É normal ele fazer algum barulho, mas tem que cuidar pra não fazer tanto. Quem tem alguém morando no apartamento de baixo não anda com salto dentro de casa. Isso é inquestionável. O cara não anda de salto pela casa (ainda), mas solta o martelo no chão várias vezes por dia.
Sou contra conhecer as pessoas que moram no prédio. Viver em apartamento não quer dizer que você tem que dividir sua vida com as pessoas. É só uma forma da vida moderna de se morar. As pessoas fazem prédios e colocam o maior número possível de pessoas pra morar num espaço mínimo e comum de poucos metros quadrados. Mas, como o meu prédio é pequeno e as pessoas veem a garagem se colocarem a cabeça na janela, não custa nada, por exemplo, saber o carro que a pessoa de baixo tem, pra saber quando ela tá ou não em casa. Não custa saber os horários básicos da pessoa e evitar que ela seja incomodada quando está em casa, o que de jeito nenhum quer dizer em hipótese alguma, porque ninguém é de ferro.
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A gente sabe que está levando uma vida comum quando faz, sem perceber, coisas sem sentido. E achando que elas fazem algum sentido. Tipo arrumar a cama. Não faz sentido algum, mas as pessoas acham que é uma coisa normal de se fazer. Isso porque levam a vida pra frente. Não tenho tido vontade de fazer coisas sem sentido nos últimos tempos.
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Plantão no fim de semana. Dois jogos no sábado à noite. Quem faz as tabelas da CBF não tem mesmo vida social. Não que eu tenha (apesar de eu ter uma, sim), mas é todo mundo gosta das noites de sábado sem trabalho. E no domingo, o anúncio das cidades. Cadê Brasília, Paula? Opa, opa, já tô terminando. Hihihihi.
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Passei o Eliane Brum na frente do Gay Talese. Só porque o Gay Talese falou que o conteúdo dos jornais impressos não tem mesmo que ser aberto na internet. A questão não é tão simples assim.
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Já faz 20 minutos que o vizinho não faz muito barulho. Acho que dá pra voltar a dormir.

4 Comments:
Desculpe, Paula, mas nesta eu fico com o Gay Talese: jornal não tem de abrir conteúdo na internet. Pelo menos não tudo.
Ou, ou! Também acho que não tem que liberar tudo. Mas tem que saber dialogar com outra mídia, usá-la de forma a incrementar o conteúdo dos dois lados. Mas dá pra abrir alguma coisa, material que não é exclusivo, que é agenda, sei lá. Beijo, beijo. Chama a Erika e vamos conversar sobre isso na Fran's. Hahahahaha. Vontade de ir lá...
Eu não arrumo a cama há uns sete anos... quer dizer, qdo minha mãe vai lá em casa, aí arrumo.. tb fico sem vontade.. bjo
Eu tb escuto a furadeira!!!! Pensei que era festa na sua casa!!! Bjo pra vc.
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