Paula Parreira

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quarta-feira, 3 de março de 2010




Passado e presente de um bicampeão

Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo é a linha de frente repetida várias vezes por Djalma Santos. Parece que não sai da memória e do pensamento, que são completamente nítidos e acertados aos 80 anos, uma semana antes de o bicampeão mundial completar 81. O ex-jogador, que esteve em quatro Copas do Mundo (1954, 58, 62 e 66), visitou o Goiás na semana passada. Foi homenageado com uma placa e uma camisa.

É irônico que uma linha de frente do Botafogo seja a lembrança mais emblemática do futebol jogado no passado para um paulistano. E é justamente sobre a época em que a rivalidade entre Rio e São Paulo era grande até mesmo nas convocações para a seleção. Djalma Santos prova que as brigas eram mais vivas para a cartolagem. "Naquela época, o Botafogo tinha cinco jogadores na frente, jogava com pontas. Hoje, os times jogam com dois ou um no ataque", diz Djalma, que refuta a pecha de saudosista.

A relação com a cartolagem também é um diferencial para o ex-lateral-direito, que se tornou ídolo principalmente de Palmeiras e Portuguesa. "Fomos pelo caminho certo. A gente jogava aberto com eles e eles com a gente." O que até hoje é meio que um tabu, é dito sem cerimônia pelo bicampeão. "Sexo, por exemplo. Sempre teve. Não tinha problema antes dos jogos. A gente fazia sem excesso. Não tem nada de mais", diz o ex-jogador, que repete também o que já disse em outras reportagens - "Ainda bato uma bolinha. Para não enferrujar".

Priorizar o grupo é o diferencial para se ganhar uma Copa. Djalma Santos conta que existia união entre elenco e comissão técnica em 1962, quando venceu sua segunda Copa, no Chile. "Mas o título mais marcante é sempre o primeiro, que ganhamos dos donos da casa na final", lembra, referindo-se à taça de 1958, conquistada na Suécia, com vitória na decisão por 5 a 2 sobre os suecos.

Sobre Dunga, Djalma Santos, que hoje mora em Uberaba (MG), afirma que o treinador está tentando "trazer o grupo para perto". É por isso que sua opinião, no momento, é a de não levar à Copa da África do Sul a dupla de Ronaldos - Fenômeno e Gaúcho. "É igual quando o Felipão não levou o Romário. Tem que levar os jogadores que estão 100%, mentalmente e fisicamente", diz. "Espero que a seleção faça boa figura. Todo mundo vai querer ganhar do Brasil", finaliza o ex-jogador, que acredita que Kaká será o grande craque da Copa de 2010.

É bom ouvir as risadas de Djalma Santos ao contar a saga da seleção quando retornou da Suécia, em 1958, com o primeiro título mundial na bagagem. Ele parece se divertir de novo. Segundo ele, como os aviões daquela época não tinham tanta autonomia de voo, era preciso fazer escalas. O roteiro foi Estocolmo-Paris-Lisboa-Recife-Rio. E só não houve comemoração em solo francês. "No Recife, desfilamos em carro aberto e voltamos para o avião. Chegando ao Rio, em Campos, aviões da FAB começaram a nos escoltar", afirma. Como Djalma morava em São Paulo, havia mais festa ao chegar à capital paulista - morava no bairro Parada Inglesa, na zona norte.

Djalma Santos não se esquece de comentar a falta de memória do futebol brasileiro. Sugere que os ídolos são esquecidos, diz que Lula não deu prosseguimento ao plano de criar a aposentadoria para os ex-jogadores e que a CBF "não dá satisfação". Cita Bellini, Gilmar e De Sordi, além de Orlando Peçanha, morto recentemente. E, modéstia excessiva ou não, mostra o espírito do jogador de seleção que foi: "Essa homenagem aqui (no Goiás) deixa a gente lisonjeado, de saber que a gente fez alguma coisinha no futebol. E não foi mais que a obrigação".


* Na foto, estamos na sala do Paulo Lopes no CT do Parque Anhanguera. Crédito: Rosiron Rodrigues/Goiás Esporte Clube.

Tem algumas coisas que eu queria muito. Como...

... ter uma memória melhor.
... ter facilidade pra aprender outras línguas.
... comprar um apartamento e não me preocupar mais com a mulher de quem eu alugo.
... saber planejar viagens, pesquisar lugares e tudo isso.
... ser menos friorenta.
... ter disciplina pras coisas.