Paula Parreira

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Beatlemania portenha
(Matéria publicada em O Popular, na edição do dia 21/7/2011)

Museu em Buenos Aires exibe a maior coleção de objetos dos Beatles do mundo

Paula Parreira
De Buenos Aires

Não é preciso mais atravessar o oceano e visitar o Velho Continente para viver o clima da Liverpool dos anos 60, quando os Beatles se tornaram a maior banda de rock do mundo. É possível fazer isso na vizinha Argentina e com uma moeda valorizada no bolso. Em janeiro deste ano, o maior colecionador do mundo de objetos relativos aos Fab Four, o argentino Rodolfo Vázquez, abriu, em uma galeria encravada no centro de Buenos Aires, o Museu Beatle. O lugar não é muito grande, mas tem objetos excêntricos e é envolto por anexos que remetem o tempo todo à banda inglesa: do cafezinho às portas dos banheiros.

O minicomplexo fica em uma galeria escondidinha na Rua Corrientes e reúne, além do Museu Beatle, um café (Star Club Cafe), dois locais para shows (The Cavern Pub e The Cavern Club), um jardim (adivinhe... o The Cavern Garden) e a Sala John Lennon, um teatro que quase sempre recebe espetáculos de stand-up comedy. O lugar recebe, em média, 170 apresentações por mês e, desde que foi criado, foi visitado por mais de 8 mil pessoas. Segundo o dono, 90% dos interessados são brasileiros.

Com cerca de 8,5 mil peças, a coleção de Rodolfo Vázquez é a maior do mundo relacionada aos Beatles – há o certificado do Guiness Book, o livro dos recordes, estampado na parede do museu. Segundo ele, 20% do total de itens estão expostos atualmente. Isso garante que ele mantenha sempre atualizado o que está lá, expondo o acervo de forma rotativa. A ideia é trocar tudo a cada ano. Muitas outras peças também enfeitam os outros ambientes.

Início

Rodolfo Vázquez começou a colecionar artigos dos Beatles quando tinha 10 anos. Ele ganhou seu primeiro álbum da banda, o Rubber Soul (de 1965), e não parou mais. Hoje, aos 53 anos, vê muitas crianças arrastarem os próprios pais para visitas ao museu de uma banda que acabou há mais de 40 anos. “Muitas vezes, são os filhos que trazem os pais, e não o contrário. É a única banda que consegue isso”, conta o colecionador, que prefere ouvir os discos em vinil do que em CD.

Inúmeros tipos de objetos estão expostos no atual acervo do Museu Beatle de Buenos Aires: baralhos, jogos de tabuleiro, fitas cassetes, vinis, ingressos, um programa de uma turnê australiana de 1964 autografado por John, Paul, George e Ringo, além de muitos bonecos, réplicas em miniatura de guitarras e baixo, dedais, chaveiros, adesivos, entre muitos outros. E, claro, toda a discografia Beatle. Precisa dizer qual é o som que rola no recinto enquanto o visitante conhece todos os objetos?

As peças mais importantes são um tijolo original do lendário The Cavern, pub em que os Beatles se apresentavam no início da carreira em Liverpool, as baquetas autografadas de Pete Best, o primeiro baterista dos Beatles – e único a fazer parte da banda que Rodolfo Vázquez conhece – e a coleção de minidiscos, que é a preferida do colecionador. “Não é fácil achar a caixa completa. Sempre achava um ou outro, separadamente, até que comprei esta pela internet”, comenta o idealizador do museu argentino.

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Cópias de documentos e objetos curiosos

Entre os artigos mais pessoais dos Beatles expostos no Museu Beatle de Buenos Aires, está uma cópia da certidão de casamento de John Lennon e Yoko Ono, a mulher acusada por muitos fãs como responsável pelo fim dos Fab Four, em 1970. A foto da nipônica Yoko também está presente na porta do banheiro feminino – o masculino é indicado pela imagem de John, claro.

Há também cópias de cheques assinados por George Harrison e Ringo Starr e reproduções das certidões de nascimento dos quatro. As excentricidades ficam por conta das camisinhas com John e Yoko na caixa (e as palavras amor e paz escritas em inglês) e uma meia-calça com a estampa dos rostos dos quatro músicos.

Personagens secundários na história dos Beatles também estão no museu. Há autógrafos de Cynthia Lennon, primeira mulher de John e mãe de Julian, filho do Beatle que hoje segue carreira musical – no local, há um disco seu autografado. Ainda seguindo a linha as-mulheres-que-marcaram-os-Beatles, Jane Asher e Barbara Bach, que se envolveram com Paul e Ringo, respectivamente, têm suas fotos no espaço Beatle em Buenos Aires.

Após a visita ao museu, é obrigatória uma paradinha no Star Club Café, onde são servidos vários tipos de café, inclusive os que levam os nomes dos quatro garotos de Liverpool, massas, saladas, empanadas, carnes, entre outros pratos e bebidas. Depois, é bom checar a programação de shows do dia. Pode ser que você aprecie um bom cover dos Beatles ou uma banda local ainda desconhecida.

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Colecionador valoriza Ringo

Uma tarefa comum para muitos beatlemaníacos não é fácil para Rodolfo Vázquez. Quando perguntado sobre o seu integrante preferido dos Fab Four, ele não escolhe. Mas deixa transparecer um carinho especial por Ringo Starr. “Muitos subestimam Ringo como músico e a contribuição dele para a banda. Ele controlava e apaziguava os ânimos. Se não tivesse o Ringo, os Beatles teriam acabado antes. Paul e John teriam destruído a banda muito antes”, afirma o argentino, que reconhece Paul McCartney como superior musicalmente em relação aos outros. “Não sei como Ringo fez para suportar as manias de Paul e John.”

Apesar de não ter conhecido nenhum Beatle, dois encontros foram especiais. Em 1997, Rodolfo se encontrou com Pete Best, o primeiro baterista que os Beatles tiveram, ainda no início da carreira. Neste ano, em junho, Brian Ray, guitarrista que hoje toca com Paul McCartney, foi ao museu durante uma visita a Buenos Aires.

Rodolfo também é um dos fundadores do The Cavern Buenos Aires, criado em 2001, que organiza a anual Semana Beatle da América Latina, com concurso de bandas e homenagens aos Beatles. A paixão pela banda inglesa não é a única. O colecionador é torcedor do River Plate. E ainda bem que ele tem o museu, porque se depender só do time de futebol... (o River foi rebaixado para a segunda divisão argentina neste ano, algo inédito e trágico para a história do clube).